O ódio que o comunista e o intelectual têm do rico no Brasil

PODE O RICO SER BONDOSO E O POBRE PERVERSO?

O título deste artigo é abertamente uma pergunta vazia. Do ponto-de-vista lógico é óbvio que há ricos com várias qualidades e pobres sem qualidade alguma. Isso é uma verdade auto-evidente.
Mas sendo uma constatação óbvia, qual o sentido de trazer o tema para estes escritos? Respondo: porque apesar de auto-evidente no plano lógico, tal verdade não compõe a nossa disposição psicológica. Psicologicamente, é como se não houvesse ricos bondosos ou pobres maldosos. Porque é assim no Brasil? A pergunta se desdobra: quando, como e por que no Brasil uma verdade psicológica se descolou da verdade lógica? E, por fim, que conseqüências essa torção tem para a formação da “consciência nacional”?

A TORÇÃO

É claro, límpido e facilmente comprovável que, na dimensão psicológica, em nosso país, não pode haver ricos virtuosos, ou sua contra-parte, pobres torpes. Basta observar os noticiários, programas de rádio e tv etc, além da rede de informações provenientes das escolas e academias.
O linguajar popular é repleto de exemplos reforçadores dessa dicotomia. Expressões como “sou pobre, mas sou limpinho”, “morreu pobre, porém honesto”, “era uma pessoa extremamente pobre e boa”, “era rico, explorador e malvado”, “a riqueza é fruto da ganância” etc, etc. Se o rico comete um crime bárbaro é porque tem um caráter perverso (o que está certo); se o pobre mata ou estupra é por “motivações sociais” (o que está errado).
O cinema, tv e teatro são outro campo em que a dicotomia pode ser sobejamente observada. Na dramaturgia tupiniquim, invariavelmente, o vilão é um rico inescrupuloso, um empresário mau-caráter, um fazendeiro bruto e ignóbil. Sem contar aí as vilãs, sempre fúteis ou maldosas. Ser rico vem sempre acompanhado de uma suspeição de base: “a riqueza foi amealhada por expropriação ou exploração de algum pobrezinho”.
Já o pobre é apresentado como possuidor de bom coração, generoso, caráter íntegro, divertido, etc, cujo azar na vida se constituiu em ser explorado por algum ricaço de plantão. Vejamos um exemplo. Talvez a novela mais marcante da televisão brasileira tenha sido “Roque Santeiro”. Pois bem, nela, o vilão é o ricaço truculento “Sinhozinho Malta”, cargo dividido com a vingativa “viúva Porcina”. E os heróis? Aha, esses eram “gente do povo”, exploradas numa trama surrealista. Isso não é uma exceção, esse modelo é um padrão. Basta observar criteriosamente nossas produções ditas “culturais”.
Outra observação: já viu algum filme brasileiro exaltar as virtudes de coragem e defesa da Lei dos policiais? Eu nunca vi. Aqui (na nossa dramaturgia), policial é sempre corrupto e bandido. Alguns ativistas chegam a sugerir que o mundo seria muito melhor, quase um Éden, se não existisse a polícia. (não se dão conta de que nesse “outro mundo possível” prevaleceria a ordem do mais forte e violento, como já ocorre nos guetos do tráfico, onde prevalece a vontade do chefe, execuções sumárias e crueldades impensáveis como o tal “microondas”). E por que é assim? Simplesmente porque a polícia é tida como instrumento de dominação dos ricos.
Das escolas e academias partem as informações mais bem acabadas e estruturadas. “O problema do Brasil é a concentração de renda (leia-se, os ricos)”, “o Brasil é um país dominado pelos ricos, esses seres abjetos”. “O Brasil precisa acabar com a exclusão” (obviamente os ricos é que desejam a exclusão e a perpetuam). Dá vergonha ser rico no Brasil! Como são os responsáveis pela miséria que viceja Nestas Terras, devem ser imolados em praça pública.
Ao contrário de outras tradições, como a americana e a européia, em que a riqueza é vista como sinal de competência e dedicação, qualidades fundamentais para o desenvolvimento da nação e da própria família, em nosso país, a riqueza é vista como responsável por todos os nossos males. Há mesmo pessoas, ditas intelectuais, muito influentes, que acreditam piamente que seríamos muito mais felizes retornando a um estágio pré-civilizatório, qual índios na relva, na campina e na mata. Nesse mundo edênico não haveria espaço para o demônio da riqueza!

AS CAUSAS DA TORÇÃO

Muito se poderia dizer a respeito de como essa tradição anti-rico floresceu entre nós, mas vou me concentrar nas motivações mais recentes e virulentas.
Embora essa tradição já venha de longa data, como reação ao poderoso colonizador lusitano, é certo que foi imensamente ampliada e potencializada pelos ativistas socialistas-marxistas, a partir de meados do século passado. A utilização de toda a classe intelectual no esforço revolucionário foi prevista e estimulada pelo ideólogo comunista italiano Antonio Gramsci.
Essencialmente, o teórico marxista apontava a precedência da vitória cultural sobre a transformação econômica socialista. Segundo ele, de nada adiantaria a mudança do controle econômico para a classe proletária se sua mentalidade continuasse a operar nos moldes capitalistas. Antes da mudança econômica, deveria ocorrer a transformação psicológica. A mentalidade das pessoas deveria ser dirigida, controlada, sem que se dessem conta, até que, amistosamente, pudessem se entregar ao ideário comunista. Daí a suprema importância dos intelectuais (jornalistas, escritores, professores, pedagogos, psicólogos etc), pois eles ditam a pauta e o tom dos meios de comunicação, além de condicionar, pelo discurso repetitivo, a formação dos jovens nas escolas e universidades. Curiosamente, esse condicionamento psicológico pavloviano é chamado de “conscientização”, sendo obviamente o contrário!
A partir das idéias de Gramsci, se pode entender o enorme e bem sucedido esforço da intelectualidade brasileira contra aqueles a quem chamam poderosos: os ricos! Não há produção intelectual, artística, jornalística que não venha impregnada, em menor ou maior grau, do binômio “pobre-bom; rico-mau”. Dessa forma, sem que se apercebam, as pessoas vão introjetando um conjunto de informações, visões de mundo, que as preparam para, a partir daí, aceitarem, como certas, quiméricas manipulações psicológicas, como o tema presente de julgar o caráter da pessoa pelo binômio riqueza-pobreza. Uma pessoa com a mente moldada dessa forma se tornará presa da sanha revolucionária e opositora do mundo democrático-liberal .

AS CONSEQUÊNCIAS PARA A FORMAÇÃO DA MENTALIADE BRASILEIRA

As conseqüências para a formação da mentalidade brasileira são deploráveis. Não ver o enriquecimento como virtuoso gera na pessoa uma corrente psicológica oposta que irá desviá-la do sentido do crescimento pessoal. A riqueza passa a ser percebida como uma fortuidade, para a qual em nada a conduta pessoal contribui, mas a sorte, o destino etc. Esse ponto é fundamental: a riqueza deve ser completamente desvinculada do esforço e atuação pessoais para poder ser repudiada como instrumento do crescimento pessoal.
Para a Nação brasileira sobra o caminho errático na solução dos problemas. Não se concebe superar o estágio atual de pobreza pelo estímulo ao trabalho, aos estudos, respeito às leis e empenho pessoal de cada um dos brasileiros, mas pela legitimação da inveja, do distributivismo e do vitimismo. É puro Brasil!
E as palavras precisam ser ditas: pobreza não é virtude. É somente um sinal de subdesenvolvimento pessoal e familiar que precisa de todo o empenho da geração mais jovem para sua superação. Penso que a melhor homenagem que o filho presta à educação que recebeu dos pais é enriquecer honestamente.
Ser rico não pode ser carta branca para desrespeitar as leis. Ser pobre não pode ser fonte de privilégios e de vitimismo!

3 Respostas para “O ódio que o comunista e o intelectual têm do rico no Brasil”

  1. patriota Disse:

    Ótima matéria; não sou rico, nunca fui e provavelmente nunca serei, mas admiro aqueles que conseguiram enriquecer honestamente; o comunista tem ódio do rico porque é incompetente e o intelectual porque é invejoso, ele acha que por ser”culto”, está acima dos demais, e se sente frustrado e injustiçado por não conseguir o que o rico tem, esquece-se sem muito trabalho e dedicação, não se chega a riqueza e se por acaso da sorte isso acontecer, ela provavelmente não se manterá, e a prova disso e quantidade de pessoas que ganharam grandes prêmios na loteria, e não sabendo administrar, voltaram a serem pobres novamente.

  2. afonso vasselli Disse:

    ser rico ou não,isso depende de sua natureza,se voce tiver a natureza de ser rico, vai ser;;;; por exemplo,voce sabe se uma criança vai ser rico;;de um pacote de balas a uma criança no meio de outras ,se ela destribuir as balas aos outros jamais será rica;;;moral da historia. o amor do rico é ter;; seja la de onde for;;;É porisso que Cristo disse que é dificil um rico salvar,,Cristo disse isso porque ele ve o coração do cara ;;; nos vemos de outro jeito e admiramos os caras, porque somos ateu ;todo rico consegue dar o nó e a propria lei os protege e nós achamos que está certo;;;o rico com o dinheiro compra tudo até as nossas idéias;;; dinheiro é o deus dos não cristãos

  3. AARN Disse:

    A matéria é interessantissima e de uma razão imensurável. Meus cumprimentos ao autor, homem de grande visão. Quanto ao Sr. Afonso Vasselli, que fala sobre o rico não repartir e etc… Basta ver o exemplo do honrável empresário norte-americano John D. Rockefeller, que doou milhões aos necessitados, isto para citar um exemplo entre os milhares que existem.

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