Posts filed under 'roraima'
produtores rurais expulsos de suas terras em roraima serão reassentados
Add comment 23 23UTC Abril 23UTC 2009
As grandes mineiradoras que estão apoiando a criação de reservas indígenas em Roraima
Ativista anti-Brasil é condecorado na Europa
Bispo austríaco condecorado por serviços prestados à Europa. E o Brasil que se dane. – Foto: web
Incrível: O bispo e presidente do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) Dom Erwin Krautler, a organização não governamental (ONG) indigenista sustentada pelos EUA e Inglaterra, conhecida por fraudes de laudos antropólogicos e pela violência de seus comparsas, recebe condecoração na Áustria pelo seu excelente trabalho em prol dos interesses de mineradores europeus e norte-americanos em terras brasileiras.
Este senhor, um estrangeiro radicado no Brasil, acaba de ser condecorado em pessoa pelo presidente da Áustria, pelo seu trabalho em prol da segregação étnica e futura divisão territorial brasileira, pela independência das comunidades indígenas do Brasil, na Raposa-Serra do Sol.
Mas é um Brasil de canalhas mesmo! Aqui, vagabundos, picaretas e canalhas deitam e rolam.
E pior, com apoio de altas instâncias federais, como o STF (Supremo Tribunal Federal), que dia 18 de março de 2009 acabou concedendo aos indigenistas internacionais plena vitória em seus interesses escusos, que atentam contra a soberania territorial brasileira e nossas riquezas invejadas pelo mundo todo. Mesmo com as 19 condiçoes de fachada, para “controlar” a exploração liberada por eles.
Destaco ainda uma coincidência:a ministra Ellen Gracie, após votar a favor da criminosa reserva contínua na Raposa Serra do Sol, foi agraciada com a nomeação para o Tribunal Internacional de Haia, na Europa. Bom para ela, não?
O Príncipe Charles, que esteve há pouco no Brasil, teve a cara de pau de efetuar uma reunião com políticos da Amazônia na presença de seu convidado, o presidente da Rio Tinto, a maior mineradora do planeta, tratando de “preservação” das nossas florestas. Nem se preocupando em disfarçar o fato de que a mineração é um dos maiores destruidores da natureza no mundo todo.
E isso com plena aprovação do governo Lula.
Add comment 25 25UTC Março 25UTC 2009
A retirada dos Arrozeiros de Roraima – Quartiero—Lula atenta contra a soberania nacional – a primeira micro nação indígena – Roraíma não é mais parte do Brasil – o primeiro território indígena libre e independente
http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/2009/03/lula-lanca-hoje-o-primeiro-territorio.html
QUARTIERO PREVÊ BANHO DE SANGUE: QUEM É CAPAZ DE TIRAR OS ARROZEIROS?
WILLAME SOUSA – Folha de Boa Vista – 23 de março de 2009
Polícia Federal e Exército Brasileiro não teriam capacidade para retirar os arrozeiros que ocupam a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, cujo processo de demarcação de forma contínua foi validado na semana passada, o que acarretará a retirada de não-índios residentes na região.
A declaração foi concedida pelo arrozeiro Paulo César Quartiero, em entrevista ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha (AM 1020). Para ele, apenas os produtores de arroz têm condições para realizar a retirada.
“Não tem ninguém que faça a não ser nós. Polícia Federal e Exército não têm capacidade para isso e Governo Federal muito menos. Eles são bons para destruir, não para construir. Quem pode fazer a retirada somos nós, arrozeiros. Nós temos capacidade, porque trabalhamos com agricultura e, por isso, poderemos desmontar as máquinas”, afirmou.
Desta forma, segundo ele, a Justiça deve estipular prazos possíveis de serem cumpridos para a retirada, pois, caso contrário, a alternativa seria quebrar equipamentos, matar o gado e atear fogo nas benfeitorias. Quartiero afirma já ter realizado levantamento de qual o período necessário para deixar a propriedade que ocupa. “Nós precisamos de seis meses. Se não quiserem dá este prazo, vão lá e ateiem fogo nos bens, matem o gado e acabem com tudo”, declarou.
Ele afirma que, não pretende resistir à retirada, entretanto, pede respeito e não descarta a possibilidade de conflitos. “Eu tenho compromisso moral de obedecer a decisão judicial, agora se eu for agredido tenho que me defender, pois a maneira de sair terá de ser exeqüível e possível”, declarou.
Quartiero informa ainda que, solicitou ao seu Departamento de Contabilidade a realização de um levantamento de quanto gastará para retirar máquinas, gado, estruturas de armazéns, balsas, dentre outros equipamentos, da reserva. Segundo ele, serão necessários R$ 2,8 milhões, algo que dificultaria a saída imediata da região, em virtude da dificuldade de obter o recurso.
Questionado em relação à declaração concedida pela PF de que a retirada de não-índios não está condicionada à indenização, Quartiero criticou à instituição. “Policial federal é para obedecer a ordens. Então, não é de se esperar e nem pode se esperar que eles tenham inteligência. Por isso, ficar questionando o que a PF está dizendo é perder tempo. A única coisa que eles podem fazer é ir lá é quebrar tudo, mas até para quebrar dá trabalho”, critica ele, destacando ainda que, o não pagamento das indenizações antes da retirada seria outro ponto que dificultaria esse processo, porque é necessário recursos para isto.
Quanto ao fato de o estado não dispor de terras propícias ao cultivo de arroz, o produtor questiona sobre os seis milhões de hectares repassados pela União, no final de janeiro, e diz não ter certezas em relação ao desenvolvimento local. “Hoje em dia, ser traficante de drogas é um posto mais tranquilo, pois dá menos problema do que ser produtor rural. Mas, quem vai se responsabilizar em produzir emprego e gerar renda no estado?”, observou.
Add comment 23 23UTC Março 23UTC 2009
Decisão do Supremo STF sobre arrozeiros – choram Os novos sem-terra – Raposa do Sol – o começo do fim do Brasil
Habitantes da área indígena choram após o último voto do STF
Eles acompanharam toda a votação da inconstitucionalidade da ação sobre a reserva indígena. Agora os não-índios devem deixar a reserva de imediato.
Já os índios favoráveis a demarcação em área contínua, comemoram com danças típicas a decisão, depois da palavra final do Supremo.
1 comment 19 19UTC Março 19UTC 2009
A Invasão de Roraima
Add comment 16 16UTC Janeiro 16UTC 2009
Entrevista com governador Anchieta Júnior na revista catolicismo
Entrevista com o Governador José de Anchieta Jr.
ver também http://homemculto.wordpress.com/2009/01/01/o-comunismo-em-roraima/
A soberania nacional continua ameaçada. Roraima está em pé de guerra contra a decisão do governo Lula de demarcar uma enorme reserva em área contínua no noroeste do estado.
Uma extensa e preciosa área de nossa fronteira com a Venezuela e a Guiana Inglesa está ameaçada de tornar-se definitivamente reserva indígena. Para tal, bastará o Supremo Tribunal Federal suspender a liminar impetrada pelo governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, contra a demarcação em área contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol.
Catolicismo — Por que o Sr. entrou no Supremo Tribunal Federal com pedido para suspender a demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol?
Catolicismo — Por que o Sr. entrou no STF com pedido de suspensão da desintrusão dos não-índios?
Gov. José de Anchieta Júnior — Porque era evidente que, naquele momento, dada a insistência do governo federal em retirar os não-índios da região, nós iríamos ter com certeza uma tragédia de repercussão internacional.
Catolicismo — Falou-se também da falsificação de um laudo antropológico.
Gov. José de Anchieta Júnior — Houve de fato o laudo manipulado. Da equipe que trabalhou para fazer o laudo, não participou ninguém da sociedade civil roraimense nem da classe produtora. Ou seja, foi um laudo antropológico fabricado pelo CIMI, pela FUNAI, e assinado por antropólogos que nunca pisaram em Roraima. Em razão disso, tal laudo antropológico perdeu sua credibilidade e valor, ao não levar em conta o respeito pelas pessoas que se encontravam lá morando há décadas e décadas.
Catolicismo — Como o Sr. imagina harmonizar o desenvolvimento do estado, cujo potencial é muito grande, com essas imensas reservas indígenas demarcadas?
Gov. José de Anchieta Júnior — Creio ser um problema muito fácil de resolver. Na verdade, o que o índio precisa é exatamente da integração. Ele precisa de cidadania, de dignidade, de educação e de saúde. O índio da Raposa Serra do Sol quer hoje tecnologia agrícola, quer telefone celular, quer internet, quer ter acesso à universidade. E ele não vai obter isso com esta política distorcida do governo federal. A FUNAI vem, demarca e vai embora, deixando os índios viverem a própria sorte.
Catolicismo — Como se encontra a situação dos índios dentro das reservas já demarcadas, quanto à alimentação, habitação, educação, saúde e renda?
Gov. José de Anchieta Júnior — Às reservas indígenas nas quais o estado tem acesso, nós conseguimos levar todo tipo de assistência, exceção feita às áreas dos ianomâmis, onde só pode entrar o pessoal da Saúde, através da Funasa, e o Exército brasileiro. Mas para se ter uma noção exata sobre a etnia dos ianomâmis –– que vive isolada em plena floresta amazônica, no noroeste do nosso estado –– e do tipo de assistência que os índios vêm recebendo por parte do governo federal, a expectativa de vida deles é de apenas 45 anos. Então, que preservação do povo indígena é essa? Nas áreas onde temos acesso e atuamos, a integração é voluntária e é condição sine qua non para que os índios possam sobreviver.
Outro dado importante é que a Raposa dista cerca de 200 quilômetros da Serra do Sol, em linha reta. Pela demarcação, a Reserva Raposa Serra do Sol começa na Raposa, parte baixa a oeste, até a Serra do Sol, parte alta em direção ao Monte Roraima. A junção dessas duas áreas procura induzir à idéia de que tais índios pertencem a uma só etnia, mas na verdade são cerca de oito a dez etnias. São grupos de pessoas que vivem e pensam de modo diferente. Aliás, representa até um perigo que tal demarcação seja em área contínua, pois eles não vão se entender entre si, o que poderá resultar em rivalidades e mortes.
Catolicismo — Ontem percorremos cerca de 350 km de carro pela região, e hoje sobrevoamos por três horas a Reserva Raposa Serra do Sol. E pudemos constatar o pequeno número de malocas, podendo ser contadas quase nos dedos das mãos.
Nas demarcações, comparando os dados de ordem geográfica com outros da morfologia, gênese e classificação do solo, veremos que ambos coincidem. Se tomarmos o mapa geográfico das demarcações de Roraima e o mapa das riquezas minerais de nosso subsolo, e sobrepusermos os dois, haverá uma perfeita harmonização, pois uma área será exatamente igual à outra. Por baixo das reservas indígenas estão as maiores riquezas naturais de nosso estado. Mera coincidência!…
Catolicismo — A quem interessa isso?
Gov. José de Anchieta Júnior — Com certeza não será aos índios, pois eles não fazem prospecção de solos. Sabemos que há um interesse generalizado e imenso pela Amazônia. Temos a maior fonte de água doce do mundo, temos a maior biodiversidade do mundo, temos as maiores riquezas minerais do mundo. É tão óbvio, que às vezes fico me perguntando por que temos de lutar tanto para mostrar ao povo brasileiro uma realidade tão lógica e clara.
Aliás, quero agradecer à imprensa pela divulgação desta questão do meu estado. Conseguimos passar para o povo brasileiro o que vem ocorrendo aqui, graças à imprensa, pois ela foi solidária conosco e entendeu o nosso recado. Refiro-me de modo particular ao depoimento de Alexandre Garcia ainda ontem, no programa Canal livre da Band, no qual o Gen. Lessa concedeu entrevista. O grande apoio que o Gen. Heleno obteve nos estimula, pois a voz do povo é a voz de Deus.
Gov. José de Anchieta Júnior — Vou começar pelo lado otimista. Hoje, estou acreditando muito na independência do STF. Estamos num momento em que o STF vem mostrando com muita isenção, com muita responsabilidade, a maneira de conduzir esses processos que representam os interesses do Brasil. Particularmente, penso que a demarcação da Raposa Serra do Sol será sem dúvida uma balizadora para as demais demarcações que vierem a ser feitas Brasil afora; por isso, a demarcação vai sofrer alterações.
Por outro lado, se permanecer como está, será muito lamentável, pois nossa luta não vai parar por aí. Poderemos perder a batalha, mas não perderemos a guerra. Na discussão sobre a Raposa Serra do Sol nós já fomos muito longe. Conseguimos chamar a atenção do povo para a propriedade e para o patrimônio do povo brasileiro. Mas se permanecer como quer o governo federal, eu não tenho dúvida de que os índios ficarão abandonados para sempre, pois o governo federal não vai fazer nada por eles. De minha parte, vou continuar o meu trabalho a fim de assisti-los. A prevalecer a demarcação em área contínua, eu não me permitirei abandoná-los.
Catolicismo — Governador, o que representam para a economia do estado os produtores de arroz ameaçados de expulsão de suas terras?
Gov. José de Anchieta Júnior — Quero deixar claro que esta luta do governo estadual de Roraima contra a demarcação contínua não é para defender os interesses de meia dúzia de arrozeiros, mas para defender o interesse de toda aquela população produtiva que vive lá, e mais especificamente os arrozeiros. A Raposa Serra do Sol tem uma área de 1.760.000 hectares. Existem seis arrozeiros lá que produzem o correspondente a 7% do PIB de Roraima. Eles produzem não apenas para o consumo interno, mas exportam o excedente para os estados do Amazonas e do Tocantins.
(FONTE: Revista Catolicismo – N° 693 – Setembro de 2008 – Ano LVIII)
Gov. José de Anchieta Júnior — Antes de esclarecer o motivo pelo qual nós entramos na Justiça, preciso dizer que a demarcação de áreas indígenas no Brasil é emblemática, pois é fruto de uma política equivocada da parte do governo federal. Especificamente, a Reserva Raposa Serra do Sol é uma área de 1.760.000 hectares, que o presidente Lula, através de decreto presidencial de abril de 2005, transferiu para os índios daquela região. Acontece que dentro da referida área existem entre oito e dez etnias vivendo harmonicamente com os brancos, e onde o governo estadual está presente para manter a sobrevivência daquela população.
Catolicismo — O Sr. tem o número exato dos índios que habitam a área da reserva?
Gov. José de Anchieta Júnior — São estimados em 12 mil os índios que habitam lá, e para os quais o governo do estado dá assistência como educação, recuperação de estradas, de pontes, fomentos à pecuária e à agricultura. O estado de Roraima conta com 400 escolas estaduais, das quais metade são escolas para educação dos índios. Na Reserva Raposa Serra do Sol, os índios já são civilizados. Se procedermos a uma pesquisa junto à população, veremos que mais de 80% daquelas comunidades não querem a demarcação em área contínua.
O que existe de fato ali são interesses escusos de ONGs que, diga-se de passagem, tomaram conta da Amazônia legal e representam com certeza interesses internacionais. Haja vista serem elas internacionais, em sua grande maioria, e agirem através de comunidades católicas e evangélicas. Não quero generalizar, pois em qualquer grupo humano pode haver pessoas de boa ou de má fé. Lá existe uma ONG conduzida por uma dessas organizações, cujo nome é CIR, e que demonstra interesse na demarcação em área contínua, razão do desencadeamento do problema com seus habitantes.
1 comment 2 02UTC Janeiro 02UTC 2009
O comunismo em Roraima
Entrevista com o prefeito Paulo César Quartiero
A retirada dos brancos da Reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, não convém ao Brasil. Há, entretanto, interesses internacionais representados por ONGs estrangeiras que manipulam nossos índios.
O gaúcho e desbravador Paulo César Quartiero, 55 anos, tornou-se protagonista de feitos dignos de admiração no que se refere à conquista e manutenção da brasilidade setentrional do País, em Roraima.
Seu modo de pensar e agir promete ser um divisor de águas na questão indígena no Brasil, que de um momento para outro gerou uma polêmica que está longe do fim. Prefeito do município de Pacaraima, na reserva indígena São Marcos, preside a Associação estadual dos Arrozeiros. Além disso, possui as maiores lavouras de arroz e soja na área que o governo federal quer desapropriar: a já bastante conhecida Reserva Raposa/Serra do Sol.
Paulo Quartiero está em Roraima desde 1976, quando, recém-formado em Agronomia, mudou-se para lá na caudal política da colonização de nossas fronteiras agrícolas lançada pelos governos militares da época, sob o lema integrar para não entregar.
Em entrevista concedida há três meses aos colaboradores de Catolicismo, Paulo Henrique Chaves e Nelson Ramos Barretto, o tema da defesa de nosso território é o ponto-chave de seu empenho em permanecer na área, posição que agora depende de decisão do Supremo Tribunal Federal.
Catolicismo — O que vem ocorrendo em Roraima nestes últimos tempos?
Sr. Paulo Quartiero — É a indignação de sua população contra a política do governo federal em relação ao estado de Roraima. Não se trata apenas da reação de meia dúzia de fazendeiros rurais, como parece estar sendo difundido Brasil afora. A reserva Raposa/Serra do Sol é uma entre cerca de 40, mas que ganhou especial interesse porque é onde se encontra a produção do estado.
Foi exatamente a essa região que os primeiros colonizadores chegaram. Seus habitantes –– índios, não-índios e mestiços –– têm um sentimento muito arraigado pela região. Na verdade, a população daqui não aceita a política do PT para Roraima. No último pleito nacional, Lula perdeu no estado; aliás, ele nunca veio aqui enquanto presidente.
Catolicismo — Qual é, a seu ver, a situação de Roraima como um estado da Federação? O senhor crê que o estado ainda é tratado como mero Território por parte do governo federal?
Sr. Paulo Quartiero — Roraima não deseja e nem precisa viver às expensas da nação brasileira. O estado apresenta um potencial agrícola muito grande. Julgo isso assim enquanto agrônomo, filho e neto de produtores rurais. Considero Roraima um dos melhores locais do País para produzir.
Outra coisa que o estado não quer é ser uma mini-Brasília e viver, como se costuma dizer, de “chapa branca”, sem produção. Com um território quase do tamanho do estado de São Paulo, Roraima tem apenas 400 mil habitantes, o equivalente à população de um bairro da capital paulista.
E mesmo assim, por incrível que possa parecer, o governo federal quer tirar as pessoas de suas propriedades alegando falta de terras para alguns poucos índios. Estamos nos sentindo tolhidos em nossa vocação de desbravadores, de produtores, em nossa ânsia de progresso. A política atual de Brasília implica na eliminação de qualquer possibilidade de as pessoas progredirem. E impede até o progresso dos índios. Os defensores de tal política certamente querem que os pobres indígenas fiquem confinados para sempre em jardins antropológicos e eternamente explorados por ONGs e grupos religiosos com interesses muito pouco definidos e convincentes em relação a eles.
Catolicismo — Para o Sr., que é protagonista da história de Roraima desde 1976 – depois dessa data a população saltou de 40 mil para 400 mil habitantes – qual seria a política ideal para fazer cessar toda essa confusão aqui reinante?
Sr. Paulo Quartiero — O governo federal precisa permitir ao estado levar sua vida própria dentro do regime federativo. Se ele não quiser ajudar, pelo menos não atrapalhe. Toda essa questão indígena do estado e o conflito gerado aqui dentro são importados. O estado precisa ter autonomia para afastar as pessoas de fora que vêm aqui para estabelecer as balizas da política local.
Antes da demarcação de terras indígenas por parte do governo federal, em Roraima nunca houve conflitos. Temos capacidade para traçar nosso plano de desenvolvimento. Temos a obrigação de povoar nossas fronteiras, de garantir nelas a presença brasileira, sob pena de um dia perdermos partes do território, tão árdua e heroicamente conquistado pelos nossos antepassados.
Por outro lado, Roraima tem a vocação e a obrigação de ser o celeiro da Amazônia. Temos quatro milhões de hectares de cerrado — o que aqui intitula-se lavrado ou savana — onde se pode produzir sem desmatar uma árvore sequer. O que se quer fazer com Roraima é um contra-senso: retirar os brasileiros e substituí-los por ONGs estrangeiras.
Catolicismo — Existem muitas ONGs atuando aqui na região? Que tipo de trabalho elas realizam?
Sr. Paulo Quartiero — Existem sim, e todos de Roraima as conhecem bem. Há uma delas que se propôs desenvolver um Programa de Proteção das Terras da Amazônia Brasileira. Parece ter sido ela fruto de um acordo entre Brasil e Alemanha, quando Luís Felipe Lampreia era ministro das Relações Exteriores do governo Fernando Henrique Cardoso. Pelo estabelecido no acordo, as áreas indígenas não teriam mais fiscalização dos governos federal e estadual. Ou seja, duas ONGs alemãs se encarregaram de fiscalizar as áreas demarcadas para as reservas indígenas! Se levarmos em conta que tais áreas confinam pelo leste com a Guiana Inglesa — que, aliás, acabou de ceder suas florestas para a Inglaterra — e ao norte com a Venezuela, temos ainda o contencioso das FARC, um pouco mais além.
Diante de tudo isso, não parece sensato entregarmos a guarda de nosso território a ONGs que ninguém sabe de onde vêm e a serviço de quem elas estão.
Catolicismo — E o trabalho desenvolvido pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil?
Sr. Paulo Quartiero — Infelizmente não tem sido bom. Esses padres e religiosos certamente pertencem à ala da Teologia da Libertação e trabalham atiçando índios contra não-índios, concorrendo assim para a criação de conflitos sociais e mesmo religiosos. Na verdade, eles querem não apenas a retirada dos produtores rurais da região, mas de toda a população brasileira radicada aqui. E isso não nos interessa, não interessa aos índios e ao Brasil. A quem interessa? Tudo indica que apenas a organismos internacionais.
Essas ONGs, na verdade, utilizam-se do índio como meio para conseguirem dinheiro no exterior. Muitas vezes elas disputam entre si determinadas áreas como reservas de mercado, e quem acaba sendo explorado é o índio, que elas dizem defender. Está sendo feito aqui um verdadeiro apartheid. Famílias que convivem há séculos vão se separar porque o marido é branco e a mulher é índia. E como ficarão os filhos? É isso que vem causando indignação em nossa população ordeira, pacífica e, sobretudo, muito brasileira. Caso tal política do governo continue, a situação não fará senão piorar.
Catolicismo — Pela posição de resistência que o Sr. vem assumindo, além de ter sido algemado e preso durante uma semana em Brasília, sofreu algum outro tipo represália?
Sr. Paulo Quartiero — Sim. Por exemplo, recebi uma multa de trinta milhões de reais sob alegação de dano ambiental. O governo federal, o CIMI, a FUNAI e as ONGs exploram o assunto através de questões simpáticas à opinião pública, e delas fazem uso político. Por exemplo, quem é contra preservar a natureza? Quem é contrário à preservação de uma minoria étnica? 31/12/08 (12 horas atrás) Don Fernando
Entretanto, aqui em Roraima o governo federal e as entidades acima mencionadas vêm utilizando isso como escudo para atender a interesses muito pouco claros, que certamente nos prejudicam, como por exemplo, o de uma tutela internacional sobre a nossa Amazônia. Já temos visto declarações no estilo de que o Brasil não pode ser o único detentor da Amazônia, de que não é suficientemente sério para cuidar sozinho da Amazônia, etc. Tenho lido e ouvido isso em palestras das quais tenho participado pelo Brasil afora, inclusive de altas autoridades brasileiras.
Catolicismo — E se acontecer de o STF decidir pela demarcação contínua da Reserva Raposa Serra do Sol?
Sr. Paulo Quartiero — As conseqüências serão desastrosas para nós, para o estado, e sobretudo para o Brasil. Será o reconhecimento da falta de zelo de nossas autoridades por um território que foi árdua e valorosamente conquistado por nossos antepassados. Pode-se até não levar em conta o potencial agrícola de Roraima, apesar de ele ser rico e necessário. Mas nossa população certamente não vai se submeter a isso.
Apresento em defesa dessa posição algumas razões. Se se proibir as pessoas de trabalhar e produzir, como acondicioná-las? A questão não é a demarcação da área indígena, mas sim da política brasileira para a Amazônia que precisa ser mudada. Esta questão do preservacionismo, a meu ver, é uma política nociva aos interesses do País. Explorar nossas riquezas sem agredir o meio ambiente é uma posição razoável. Mas esse preservacionismo puro que engessa o País, proibindo-o de explorar suas riquezas naturais, inibe o nosso desenvolvimento. Isso só poderá servir a interesses alienígenas.
Catolicismo — Pelo visto, a questão da Reserva Indígena Raposa/Serra do Sol transcende sua própria importância e acena para uma temática muito maior dentro do quadro atual da política brasileira…
Sr. Paulo Quartiero — Penso que se trata de um marco divisor, além de ser muito emblemático, pois inclui até a presença brasileira na Amazônia. Afirmo que a batalha da Amazônia já começou. Começou em Roraima e por Roraima.
Catolicismo — Caso continue este estado de tensão em Roraima, há risco de correr sangue de irmãos por aqui?
Sr. Paulo Quartiero — O que existe em Roraima é terrorismo. Mas terrorismo de Estado. A União vem fazer terrorismo em Roraima, seqüestrando as terras do estado, desalojando famílias estabelecidas e não permitindo que o estado tenha possibilidade de progredir economicamente. Nós, desde o começo, fomos a favor da judicialização da questão. O povo daqui é como todo brasileiro. Até os índios –– na verdade, todos aculturados –– têm o temperamento brasileiro. É por isso que desejamos que se aguarde a decisão do Supremo Tribunal Federal.
Diante dessa atitude do povo roraimense, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que ia combater a barbárie aqui. Mandou então um exército de 500 policiais federais e guardas nacionais, que vêm se comportando como se fossem os marines americanos no Iraque, com a diferença de que os terroristas somos nós. Eles estão oprimindo nossa população, humilhando todo mundo.
Será possível que o ministro não sabia que tínhamos 33 ações tramitando no Supremo? Sem contar que fez um gasto extraordinário para enviar e manter essa gente até hoje aqui, à custa dos cofres públicos. Como a população reagiu, o Supremo tomou a decisão correta, acatando liminar pedida pelo governo estadual solicitando que se aguardasse a decisão final.
Catolicismo — Ocorreram ferimentos de índios numa invasão efetuada em sua fazenda. Como sucedeu isso?
Sr. Paulo Quartiero — O grande culpado pelo que houve foi o ministro Tarso Genro. Quando saiu a liminar do STF, houve uma invasão — que nós chamamos de invasão “chapa branca” — na minha fazenda. “Chapa branca” porque promovida pela FUNAI, com índios transportados pelos padres do CIMI, com o apoio da Polícia Federal. Assim, eles invadiram as fazendas. Por quê? — Eles queriam fazer um “mártir”. Imaginavam uma reação violenta da qual surgisse um “mártir”, para assim conseguirem uma nova Doroty Stang ou um novo Chico Mendes. “Mártir”, graças a Deus, não houve. Infelizmente houve alguns feridos, pessoas inocentes que foram para lá iludidas. Os reais responsáveis pela invasão estavam em salas com ar-condicionado, esperando uma vítima para depois comemorarem o ocorrido com o sangue alheio… Desse modo, as ONGs encheriam o bolso de dinheiro.
Estou certo de que, se o governo federal continuar com essa política do PT, tal teatro vai se repetir entre nós.
Catolicismo — O Sr. acredita na possibilidade de uma insurreição em Roraima, caso o STF mantenha a decisão de demarcação da reserva com área contínua?
Sr. Paulo Quartiero — É difícil dizer, pois não se trata de uma questão matemática, mas sim de sentimento. E o sentimento aqui é de um povo ultrajado, que presencia a bandeira nacional ser pisoteada, enquanto os estrangeiros dão as ordens. É o sentimento de a pessoa se sentir humilhada em seu próprio País. Como se trata de sentimentos, não se pode aquilatar. Pode surgir revolta? — Pode. Pode dar em nada? —Também pode.
(REVISTA CATOLICISMO DE NOVEMBRO DE 2008)
1 comment 1 01UTC Janeiro 01UTC 2009