A Região dos “Campos do Avanhandava” e do “Salto do Avanhandava” no baixo Rio Tietê, quando da chegada dos primeiros pioneiros (brancos colonizadores), era habitada pelos índios Coroados (ou Kaingang ou ainda Caingangue) vindos do sul do Brasil.
O topônimo Ava - Nhandava significa: ” O índio que fala o dialeto Nhandeva“, por isso não se diz: “salto de“, e, sim, se diz: “Salto do Avanhandava” ou “Cachoeira do Avanhandava”, e por isso se acredita que os nhandevas predominavam na região quando da chegada dos índios Coroados.
A primeira presença do Estado brasileiro na região foi, na década de 1860, pouco antes da Guerra do Paraguai, uma Colônia Militar (quartel, fortaleza), próxima ao Salto do Avanhandava, que recebeu o nome de Colônia do Avanhandava e a alcunha de Degredo.
Naquela época se criaram várias colônias militares em todo o Brasil para proteção das fronteiras e “proteger a população do interior contra índios selvagens, facilitar as comunicações e o comércio e ajudar os núcleos civis que se fundarem nas suas vizinhanças”.
A Colônia do Avanhandava, localizada próximo ao porto de desembarque, o Porto do Cruz, no rio Tiête, pouco antes da Cachoeira do Avanhandava, junto à estrada que ligava Piracicaba a Paranaíba, foi criada pelo decreto imperial de 18 de março de 1858, e tinha como objetivo, proteger o povoamento da região, onde cinco fazendeiros compraram terras devolutas do governo e pretendiam formar um “patrimônio”, como se chamava, na época, as pequenas povoações, recém criadas, construídas ao redor de uma capela, à qual se doa um “patrimônio“: uma área para praça e capela.
A Colônia de Avanhandava deveria servir também de retarguarda à Colônia de Itapura, na foz do rio Tiête. A Colônia do Avanhandava, porém, não prosperou.
Hoje, o salto do Avanhandava, a colônia militar e a velha Usina Hidrelétrica de Avanhandava jazem no fundo da represa da Usina Hidrelétrica de Nova Avanhandava.
Posteriormente, próximo ao velho quartel já abandonado e ao Ribeirão do Lageado, se tentou formar, em 1883, pelos primeiros pioneiros, um Patrimônio, tendo como orago o “Nosso Senhor dos Passos”. Este primeiro patrimônio não prosperou porque uma das famílias pioneiras, os Pintos, foi massacrada pelos índios em 1886.
Em 1895, o presidente do estado de São Paulo, Bernardino de Campos, autoriza em lei, a construção de uma estrada de Bauru ao Salto do Avanhandava, estrada esta que facilita o acesso à região dos Campos do Avanhandava.
O Patrimônio do Santa Cruz do Avanhandava surgiu, tempos depois, em terras compradas dos herdeiros da pioneira Maria Chica pelo empreendedor Coronel Manuel Bento da Cruz e em terras doadas em 1906, pelo fazendeiro Eduardo José de Castilho.
Manuel Bento da Cruz e Eduardo Castilho doaram, para a formação do novo patrimônio, um lote de terras aos frades capuchinhos, e venderam as terras vizinhas, fracionando-as em pequenos lotes de terras, os sítios.
Assim, a colonização de Penápolis foi feita, como em todo o oeste paulista, de acordo com a Lei de Terras estadual de 1895, que só permitia a aquisição de terras devolutas em leilão (haste) público. A Lei de Terras estadual exigia também que, em breve, o seu comprador as revendesse em lotes que não podiam passar de 500 hectares em terras de cultura, 4.000 hectares em “campos de criar” e 40 hectares nos lotes suburbanos, garantindo, assim, o acesso à terra aos pequenos proprietários.
Assim para esta colonização, Manuel Bento da Cruz, Eduardo de Castilho e os capuchinhos fundaram o Patrimônio de Santa Cruz do Avanhandava, em 25 de outubro de 1908. Como marco deste acontecimento, ergueram eles um cruzeiro em frente ao local onde, depois, se instalou, em 1923, o 1º Grupo Escolar de Penápolis.
Logo em seguida, em 2 de Dezembro de 1908, chegou ao novo povoado, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que impulsionou o povoamento da região. A construção dos trilhos da Noroeste prosseguiu até à década de 1920 rumo ao rio Paraná, em terras pertencentes, na época, à Penápolis, com um número de mortos por malária e por índios, em 10.000 pessoas.
Os pioneiros encontraram seus maiores obstáculos nos ataques dos índios e na malária. Os índios só foram finalmente pacificados, em 1912, com a ação do Coronel Cândido Rondon, que, por isto, é homenageado dando seu nome a principal rodovia que corta a região da Estrada de Ferro NOB (Bauru até a divisa com o Mato Grosso do Sul), atual Novoeste.
A pacificação dos índios realizado pelo Coronel Rondon foi decisiva para o povoamento da região, tanto que o preço do alqueire de terra subiu 1.000% de 1910 a 1914, passando de 13$000 réis a 100$000 réis, indicando um grande aumento da procura por terras após a pacificação. Em 1925, o alqueire de terra, próximo à área urbana de Penápolis, já estava cotado a 1:000$000, ou seja, uma nova valorização de 1.000% em relação a 1914.
Pouco restou da cultura dos índios Coroados. A cidade foi, porém, enriquecida por várias tradições européias e asiáticas, pois se estabeleceram em Penápolis imigrantes de vários países para trabalharem nas lavouras de café; Vieram também muitos migrantes de Minas Gerais, com tradição em engenhos de cana-de-açúcar, doces, queijos e o carro de boi.
História administrativa
Em 17 de Novembro de 1909, pela lei estadual nº 1.177, o Patrimônio do Santa Cruz do Avanhandava é elevado à condição de distrito de paz de São José do Rio Preto e passa a se chamar “Villa de Pennapolis”, em homenagem ao recém-falecido presidente da República Afonso Pena, grande incentivador das ferrovias, e, cujo teor, é o seguinte:
“O Dr. Manoel Joaquim de Albuquerque Lins, Presidente do Estado de São Paulo, faz saber que o Congresso Legislativo do Estado decretou e eu promulgo a lei seguinte:
Artigo I: Fica creado, no município e comarca de São José do Rio Preto, o districto de paz de Pennapolis, no povoado e estação de Santa Cruz do Avanhandava, da Estrada de Ferro Noroeste do Brazil”.
Em 16 de dezembro de 1910, o Distrito de Paz de Penápolis é transferido para o município e comarca de Bauru.
A “Villa de Pennapolis” foi desmembrada do município de Bauru e elevada à condição de município, em 22 de dezembro de 1913, pela Lei estadual nº 1.397, passando a se chamar Município de Pennapolis. O novo município possuia dois distritos: Penápolis e Miguel Calmon, hoje chamado Avanhandava.
A Câmara Municipal de Penápolis foi instalada em 11 de maio de 1914.
O município foi elevado à condição de comarca em 10 de outubro de 1917. A instalação da Comarca de Penápolis ocorreu a 27 de julho de 1918.
Hoje, a Comarca de Penápolis abrange os municípios de Penápolis, Glicério, Braúna, Alto Alegre, Avanhandava, Luiziânia e Barbosa.
O território original do município de Penápolis era muito grande, indo até o Rio Paraná, na fronteira com o atual Estado do Mato Grosso do Sul, mas este território foi muito reduzido com os seus sucessivos desmembramentos em novos municípios. Em 1926, data da Lei estadual 2.129 que fixou as divisas de Penápolis, o seu território já estava bastante reduzido, mas ainda se extendia até perto da atual Marília.
Igreja Católica e os Capuchinhos
O município pertence à Diocese de Lins e seu padroeiro é São Francisco de Assis, sendo a Igreja Matriz de Penápolis servida pelos frades capuchinhos. Criada a paróquia em 1909 com o nome de “Curato do Santa Cruz do Avanhandava”. Paróquia grande que foi desmembrada inúmeras vezes. O primeiro vigário da paróquia foi Frei Boaventura de Aldeno.
É considerada a fundação de Penápolis, a realização de uma primeira missa em 25 de Outubro de 1908 pelos frades capuchinhos da Igreja Católica, os quais, assim que chegaram a Penápolis fundaram uma Escola, a Escolinha de São Francisco, que foi a única da cidade até 1912 quando se instalou a primeira escola feminina, e em seguida em 1913, quando se inaugurou a Escola Mista do Lageado. Pouco depois, a Escolinha se transformou em Colégio São Francisco.