Posts filed under 'história do brasil'

o que pensa a ministra da igualdade – sua visão de democracia

A Ministra da Igualdade Racial

Em entrevista a BBC Brasil em março de 2007 a ministra da Igualdade Racial disse que é normal um negro se insurgir contra um branco.  Abaixo a entrevista.

Em entrevista à BBC Brasil para lembrar os 200 anos da proibição do comércio de escravos pelo Império Britânico, tido como o ponto de partida para o fim da escravidão em todo o mundo, ela disse que “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”.

“A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”, afirmou.

Ribeiro disse que ainda vai demorar até que as políticas públicas implantadas nos últimos anos comecem a dar resultados concretos e diminuam a diferença econômica e social entre as populações branca e negra do país.

“Ainda temos muito o que fazer”, afirma, enumerando ações que já começaram, como na área de educação e saúde.

Ela diz que, embora a abolição da escravatura tenha chegado atrasada ao Brasil, hoje o país tem uma das legislações mais avançadas do mundo em relação a direitos iguais, mas ainda falta uma mudança de postura da sociedade.

Add comment 5 05UTC Julho 05UTC 2009

Discurso do Dr. Getúlio Vargas, em 10 de novembro de 1937, ao implantar o Estado Novo

À NAÇÃO:
O homem de Estado, quando as circunstâncias impõem uma decisão excepcional, de amplas repercussões e profundos efeitos na vida do País, acima das deliberações ordinárias da atividade governamental, não pode fugir ao dever de tomá-la, assumindo, perante a sua consciência e a consciência dos seus concidadãos, as responsabilidades inerentes à alta função que lhe foi delegada pela confiança Nacional.

A investidura na suprema direção dos negócios públicos não envolve, apenas, a obrigação de cuidar e prover as necessidades imediatas e comuns da administração. As exigências do momento histórico e as solicitações do interesse coletivo reclamam, por vezes, imperiosamente, a adoção de medidas que afetam os pressupostos e convenções do regime, os próprios quadros institucionais, os processos e métodos de governo.

Por certo, essa situação especialíssima só se caracteriza sob aspectos graves e decisivos nos períodos de profunda perturbação política, econômica e social.

A contingência de tal ordem chegamos, infelizmente, como resultante de acontecimentos conhecidos, estranhos à ação governamental, que não os provocou nem dispunha de meios adequados para evitá-los ou remover-lhes as funestas conseqüências.

Oriundo de um movimento revolucionário de amplitude nacional e mantido pelo poder constituinte da Nação, o Governo continuou, no período legal, a tarefa encetada de restauração econômica e financeira e, fiel às convenções do regime, procurou criar, pelo alheamento às competições partidárias, uma atmosfera de serenidade e confiança, propícia ao desenvolvimento das instituições democráticas.

Enquanto assim procedia, na esfera estritamente política, aperfeiçoava a obra de justiça social a que se votara desde o seu advento, pondo em prática um programa isento de perturbações e capaz de atender às justas reivindicações das classes trabalhadoras, de preferência as concernentes às garantias elementares de estabilidade e segurança econômica, sem as quais não pode o indivíduo tornar-se útil à coletividade e compartilhar dos benefícios da civilização.

Contrastando com as diretrizes governamentais, inspiradas sempre no sentido construtivo e propulsor das atividades gerais, os quadros políticos permaneciam adstritos aos simples processos de aliciamento eleitoral.

Tanto os velhos partidos como os novos, em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimiam ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na partilha dos despojos e nas combinações oportunistas em torno de objetivos subalternos.

A verdadeira função dos partidos políticos, que consiste em dar expressão e reduzir a princípios de governo as aspirações e necessidades coletivas, orientando e disciplinando as correntes de opinião, essa, de há muito, não a exercem os nossos agrupamentos partidários tradicionais. O fato é sobremodo sintomático se lembrarmos que da sua atividade depende o bom funcionamento de todo sistema baseado na livre concorrência de opiniões e interesses.

Para comprovar a pobreza e desorganização da nossa vida política, nos moldes em que se vem processando, aí está o problema da sucessão presidencial, transformado em irrisória competição de grupos, obrigados a operar pelo suborno e pelas promessas demagógicas, diante do completo desinteresse e total indiferença das forças vivas da Nação. Chefes de governos locais, capitaneando desassossegos e oportunismo, transformaram-se, de um dia para outro, à revelia da vontade popular, em centros de decisão política, cada qual decretando uma candidatura, como se a vida do País, na sua significação coletiva, fosse simples convencionalismo, destinado a legitimar as ambições do caudilhismo provinciano.

Nos períodos de crise, como o que atravessamos, a democracia de partidos, em lugar de oferecer segura oportunidade de crescimento e de progresso, dentro das garantias essenciais à vida e à condição humana, subverte a hierarquia, ameaça a unidade pátria e põe em perigo a existência da Nação, extremando as competições e acendendo o facho da discórdia civil.

Acresce, ainda, notar que, alarmados pela atoarda dos agitadores profissionais e diante da complexidade da luta política, os homens que não vivem dela mas do seu trabalho deixam os partidos entregues aos que vivem deles, abstendo-se de participar de vida pública, que só poderia beneficiar-se com a intervenção dos elementos de ordem e de ação construtora.

O sufrágio universal passa, sim, a ser instrumento dos mais audazes e máscara que mal dissimula o conluio dos apetites pessoais e de corrilhos. Resulta daí não ser a economia nacional organizada que influi ou prepondera nas decisões governamentais, mas as forças econômicas de caráter privado, insinuadas no poder e dele se servindo em prejuízo dos legítimos interesses da comunidade.

Quando os partidos tinham objetivos de caráter meramente político, com a extensão de franquias constitucionais e reivindicações semelhantes, as suas agitações ainda podiam processar-se à superfície da vida social, sem perturbar as atividades do trabalho e da produção. Hoje, porém, quando a influência e o controle do Estado sobre a economia tendem a crescer, a competição política tem por objetivo o domínio das forças econômicas, e a perspectiva da luta civil, que espia, a todo momento, os regimes dependentes das flutuações partidárias, é substituída pela perspectiva incomparavelmente mais sombria da luta de classes.

Em tais circunstâncias, a capacidade de resistência do regime desaparece e a disputa pacífica das urnas é transportada para o campo da turbulência agressiva e dos choques armados.

É dessa situação perigosa que nos vamos aproximando. A inércia do quadro político tradicional e a degenerescência dos partidos em clãs faciosos são fatores que levam, necessariamente, a armar o problema político, não em termos democráticos, mas em termos de violência e de guerra social.

Os preparativos eleitorais foram substituídos, em alguns Estados, pelos preparativos militares, agravando os prejuízos que já vinha sofrendo a Nação, em conseqüência da incerteza e instabilidade criadas pela agitação facciosa. O caudilhismo regional, dissimulado sob aparências de organização partidária, armava-se para impor à Nação as suas decisões, constituindo-se, assim, em ameaça ostensiva à unidade nacional.

Por outro lado, as novas formações partidárias surgidas em todo o mundo, por sua própria natureza refratárias aos processos democráticos, oferecem perigo imediato para as instituições, exigindo, de maneira urgente e proporcional à virulência dos antagonismos, o reforço do poder central. Isso mesmo já se evidenciou por ocasião do golpe extremista de 1935, quando o Poder Legislativo foi compelido a emendar a Constituição e a instituir o estado de guerra, que, depois de vigorar mais de um ano, teve de ser restabelecido por solicitação das forças armadas, em virtude do recrudescimento do surto comunista, favorecido pelo ambiente turvo dos comícios e da caça ao eleitorado.

A consciência das nossas responsabilidades indicava, imperativamente, o dever de restaurar a autoridade nacional, pondo termo a essa condição anômala da nossa existência política, que poderá conduzir-nos à desintegração, como resultado final dos choques de tendências inconciliáveis e do predomínio dos particularismos de ordem local.

Colocada entre as ameaças caudilhescas e o perigo das formações partidárias sistematicamente agressivas, a Nação, embora tenha por si o patriotismo da maioria absoluta dos brasileiros e o amparo decisivo e vigilante das forças armadas, não dispõe de meios defensivos eficazes dentro dos quadros legais, vendo-se obrigada a lançar mão, de modo normal, das medidas excepcionais que caracterizam o estado de risco iminente da soberania nacional e da agressão externa. Essa é a verdade, que precisa ser proclamada, acima de temores e subterfúgios.

A organização constitucional de 1934, vazada nos moldes clássicos do liberalismo e do sistema representativo, evidenciara falhas lamentáveis, sob esse e outros aspectos. A Constituição estava, evidentemente, antedatada em relação ao espírito do tempo. Destinava-se a uma realidade que deixara de existir. Conformada em princípios cuja validade não resistira ao abalo da crise mundial, expunha as instituições por ela mesma criadas à investida dos seus inimigos, com a agravante de enfraquecer e anemizar o poder público.

O aparelhamento governamental instituído não se ajustava às exigências da vida nacional; antes, dificultava-lhe a expansão e inibia-lhe os movimentos. Na distribuição das atribuições legais, não se colocara, como se devera fazer, em primeiro plano, o interesse geral; aluíram-se as responsabilidades entre os diversos poderes, de tal sorte que o rendimento do aparelho do Estado ficou reduzido ao mínimo e a sua eficiência sofreu danos irreparáveis, continuamente expostos à influência dos interesses personalistas e das composições políticas eventuais.

Não obstante o esforço feito para evitar os inconvenientes das assembléias exclusivamente políticas, o Poder Legislativo, no regime da Constituição de 1934, mostrou-se, irremediavelmente, inoperante.

Transformada a Assembléia Nacional Constituinte em Câmara de Deputados, para elaborar, nos precisos termos do dispositivo constitucional, as leis complementares constantes da mensagem do Chefe do Governo Provisório de 10 de abril de 1934, não se conseguira, até agora, que qualquer delas fosse ultimada, malgrado o funcionamento quase ininterrupto das respectivas sessões. Nas suas pastas e comissões se encontram, aguardando deliberação, numerosas iniciativas de inadiável necessidade nacional, como sejam: o Código do Ar, o Código das Águas, o Código de Minas, o Código Penal, o Código do Processo, os projetos da Justiça do Trabalho, da criação dos Institutos do Mate e do Trigo, etc., etc. Não deixaram, entretanto, de ter andamento e aprovação as medidas destinadas a favorecer interesses particulares, algumas, evidentemente, contrárias aos interesses nacionais e que, por isso mesmo, receberam veto do Poder Executivo.

Por seu turno, o Senado Federal permanecia no período de definição das suas atribuições, que constituíam motivo de controvérsia e de contestação entre as duas Casas legislativas.

A fase parlamentar da obra governamental se processava antes como um obstáculo do que como uma colaboração digna de ser conservada nos termos em que a estabelecera a Constituição de 1934.

Função elementar e, ao mesmo tempo, fundamental, a própria elaboração orçamentária nunca se ultimou nos prazos regimentais, com o cuidado que era de se exigir. Todos os esforços realizados pelo Governo no sentido de estabelecer o equilíbrio orçamentário se tornavam inúteis, desde que os representantes da Nação agravavam sempre o montante das despesas, muitas vezes, em benefício de iniciativas ou de interesses que nada tinham a ver com o interesse público.

Constitui ato de estrita justiça consignar que em ambas as casas do Poder Legislativo existiam homens cultos, devotados e patriotas, capazes de prestar esclarecido concurso às mais delicadas funções públicas, tendo, entretanto, os seus esforços invalidados pelos próprios defeitos de estrutura do órgão a que não conseguiam emprestar as suas altas qualidades pessoais.

A manutenção desse aparelho inadequado e dispendioso era de todo desaconselhável. Conservá-lo seria, evidentemente, obra de espírito acomodatício e displicente, mais interessado pelas acomodações da clientela política do que pelo sentimento das responsabilidades assumidas. Outros, por certo, prefeririam transferir aos ombros do Legislativo os ônus e dificuldades que o Executivo terá de enfrentar para resolver diversos problemas de grande relevância e de graves repercussões, visto afetarem poderosos interesses organizados, interna e externamente. Compreende-se, desde logo, que me refiro, entre outros, aos da produção cafeeira e regularização da nossa dívida externa.

O Governo atual herdou os erros acumulados em cerca de vinte anos de artificialismo econômico, que produziram o efeito catastrófico de reter stocks e valorizar o café, dando em resultado o surto da produção noutros países, apesar dos esforços empreendidos para equilibrar, por meio de quotas, a produção e o consumo mundial da nossa mercadoria básica. Procurando neutralizar a situação calamitosa encontrada em 1930, iniciamos uma política de descongestionamento, salvando da ruína a lavoura cafeeira e encaminhando os negócios de modo que fosse possível restituir, sem abalos, o mercado do café às suas condições normais. Para atingir esse objetivo, cumpria aliviar a mercadoria dos pesados ônus que a encareciam, o que será feito sem perda de tempo, resolvendo-se o problema da concorrência no mercado mundial e marchando decisivamente para a liberdade de comércio do produto.

No concernente à dívida externa, o serviço de amortização e juros constitui questão vital para a nossa economia. Enquanto foi possível o sacrifício da exportação de ouro, afim de satisfazer as prestações estabelecidas, o Brasil não se recusou a fazê-lo. É claro, porém, que os pagamentos, no exterior, só podem ser realizados com o saldo da balança comercial. Sob a aparência de moeda, que vela e disfarça a natureza do fenômeno de base nas relações econômicas, o que existe, em última análise, é a permuta de produtos. A transferência de valores destinados a atender a esses compromissos pressupõe, naturalmente, um movimento de mercadorias do País devedor para os seus clientes no exterior, em volume suficiente para cobrir as responsabilidades contraídas. Nas circunstâncias atuais, dados os fatores que tendem a criar restrições à livre circulação das riquezas no mercado mundial, a aplicação de recursos em condições de compensar a diferença entre as nossas disponibilidades e as nossas obrigações só pode ser feita mediante o endividamento crescente do País e a debilitação da sua economia interna.

Não é demais repetir que os sistemas de quotas, contingenciamentos e compensações, limitando, dia a dia o movimento e volume das trocas internacionais, têm exigido, mesmo nos países de maior rendimento agrícola e industrial, a revisão das obrigações externas. A situação impõe, no momento, a suspensão do pagamento de juros e amortizações, até que seja possível reajustar os compromissos sem dessangrar e empobrecer o nosso organismo econômico. Não podemos por mais tempo continuar a solver dívidas antigas pelo processo ruinoso de contrair outras mais vultosas, o que nos levaria, dentro de pouco, à dura contingência de adotar solução mais radical. Para fazer face às responsabilidades decorrentes dos nossos compromissos externos, lançamos sobre a produção nacional o pesado tributo que consiste no confisco cambial, expresso na cobrança de uma taxa oficial de 35%, redundando, em última análise, em reduzir de igual percentagem os preços, já tão aviltados, das mercadorias de exportação. É imperioso pôr um termo a esse confisco, restituindo o comércio de câmbio às suas condições normais. As nossas disponibilidades no estrangeiro, absorvidas, na sua totalidade, pelo serviço da dívida e não bastando, ainda assim, às suas exigências, dão em resultado nada nos sobrar para a renovação do aparelhamento econômico, do qual depende todo o progresso nacional.

Precisamos equipar as vias férreas do País, de modo a oferecerem transporte econômico aos produtos das diversas regiões, bem como construir novos traçados e abrir rodovias, prosseguindo na execução do nosso plano de comunicações, particularmente no que se refere à penetração do Hinterland e articulação dos centros de consumo interno com os escoadouros de exportação.

Por outro lado, essas realizações exigem que se instale a grande siderurgia, aproveitando a abundância de minério, num vasto plano de colaboração do Governo com os capitais estrangeiros que pretendam emprego remunerativo, e fundando, de maneira definitiva, as nossas indústrias de base, em cuja dependência se acha o magno problema da defesa nacional.

É necessidade inadiável, também, dotar as forças armadas de aparelhamento eficiente, que as habilite a assegurar a integridade e a independência do País, permitindo-lhe cooperar com as demais nações do Continente na obra de preservação da paz.

Para reajustar o organismo político às necessidades econômicas do País e garantir as medidas apontadas, não se oferecia outra alternativa além da que foi tomada, instaurando-se um regime forte, de paz, de justiça e de trabalho. Quando os meios de governo não correspondem mais às condições de existência de um povo, não há outra solução senão mudá-los, estabelecendo outros moldes de ação.

A Constituição hoje promulgada criou uma nova estrutura legal, sem alterar o que se considera substancial nos sistemas de opinião: manteve a forma democrática, o processo representativo e a autonomia dos Estados, dentro das linhas tradicionais da federação orgânica.

Circunstâncias de diversas naturezas apressaram o desfecho desse movimento, que constitui manifestação de vitalidade das energias nacionais extrapartidárias. O povo o estimulou e acolheu com inequívocas demonstrações de regozijo, impacientado e saturado pelos lances entristecedores da política profissional; o Exército e a Marinha o reclamaram como imperativo da ordem e da segurança nacional.

Ainda ontem, culminando nos propósitos demagógicos, um dos candidatos presidenciais mandava ler da tribuna da Câmara dos Deputados documento francamente sedicioso e o fazia distribuir nos quartéis das corporações militares, que, num movimento de saudável reação às incursões facciosas, souberam repelir tão aleivosa exploração, discernindo, com admirável clareza, de que lado estavam, no momento, os legítimos reclamos da consciência brasileira.

Tenho suficiente experiência das asperezas do poder para deixar-me seduzir pelas suas exterioridades e satisfações de caráter pessoal. Jamais concordaria, por isso, em permanecer à frente dos negócios públicos se tivesse de ceder quotidianamente às mesquinhas injunções da acomodação política, sem a certeza de poder trabalhar, com real proveito, pelo maior bem da coletividade.

Prestigiado pela confiança das forças armadas e correspondendo aos generalizados apelos dos meus concidadãos, só acedi em sacrificar o justo repouso a que tinha direito, ocupando a posição em que me encontro, com o firme propósito de continuar servindo à Nação.

As decepções que o regime derrogado trouxe ao País não se limitaram ao campo moral e político.

A economia nacional, que pretendera participar das responsabilidades do Governo, foi também frustrada nas suas justas aspirações. Cumpre restabelecer, por meio adequado, a eficácia da sua intervenção e colaboração na vida do Estado. Ao invés de pertencer a uma assembléia política, em que, é óbvio, não se encontram os elementos essenciais às suas atividades, a representação profissional deve constituir um órgão de cooperação na esfera do poder público, em condições de influir na propulsão das forças econômicas e de resolver o problema do equilíbrio entre o capital e o trabalho.

Considerando de frente e acima dos formalismo jurídicos a lição dos acontecimentos, chega-se a uma conclusão iniludível, a respeito da gênese política das nossas instituições: elas não corresponderam, desde 1889, aos fins para que se destinavam.

Um regime que, dentro dos ciclos prefixados de quatro anos, quando se apresentava o problema sucessório presidencial, sofria tremendos abalos, verdadeiros traumatismos mortais, dada a inexistência de partidos nacionais e de princípios doutrinários que exprimissem as aspirações coletivas, certamente não valia o que representava e operava, apenas, em sentido negativo.

Numa atmosfera privada de espírito público, como essa em que temos vivido, onde as instituições se reduziam às aparências e aos formalismos, não era possível realizar reformas radicais sem a preparação prévia dos diversos fatores da vida social.

Torna-se impossível estabelecer normas sérias e sistematização eficiente à educação, à defesa e aos próprios empreendimentos de ordem material, se o espírito que rege a política geral não estiver conformado em princípios que se ajustem às realidades nacionais.

Se queremos reformar, façamos, desde logo, a reforma política. Todas as outras serão consectárias desta, e sem ela não passarão de inconsistentes documentos de teoria política.

Passando do Governo propriamente dito ao processo da sua constituição, verificava-se, ainda, que os meios não correspondiam aos fins. A fase culminante do processo político sempre foi a da escolha de candidato à Presidência da República. Não existia mecanismo constitucional prescrito a esse processo. Como a função de escolher pertencia aos partidos e como estes se achavam reduzidos a uma expressão puramente nominal, encontrávamo-nos em face de uma solução impossível, por falta de instrumento adequado. Daí, as crises periódicas do regime, pondo, quadrienalmente, em perigo a segurança das instituições. Era indispensável preencher a lacuna, incluindo na própria Constituição o processo de escolha dos candidatos à suprema investidura, de maneira a não se reproduzir o espetáculo de um corpo político desorganizado e perplexo, que não sabe, sequer, por onde começar o ato em virtude do qual se define e afirma o fato mesmo da sua existência.

A campanha presidencial, de que tivemos, apenas, um tímido ensaio, não podia, assim, encontrar, como efetivamente não encontrou, repercussão no País. Pelo seu silêncio, a sua indiferença, o seu desinteresse, a Nação pronunciou julgamento irrecorrível sobre os artifícios e as manobras a que se habituou a assistir periodicamente, sem qualquer modificação no quadro governamental que se seguia às contendas eleitorais. Todos sentem, de maneira profunda, que o problema de organização do Governo deve processar-se em plano diferente e que a sua solução transcende os mesquinhos quadros partidários, improvisados nas vésperas dos pleitos, com o único fim de servir de bandeira a interesses transitoriamente agrupados para a conquista do poder.

A gravidade da situação que acabo de escrever em rápidos traços está na consciência de todos os brasileiros. Era necessário e urgente optar pela continuação desse estado de coisas ou pela continuação do Brasil. Entre a existência nacional e a situação de caos, de irresponsabilidade e desordem em que nos encontrávamos, não podia haver meio termo ou contemporização.

Quando as competições políticas ameaçam degenerar em guerra civil, é sinal de que o regime constitucional perdeu o seu valor prático, subsistindo, apenas, como abstração. A tanto havia chegado o País. A complicada máquina de que dispunha para governar-se não funcionava. Não existiam órgãos apropriados através dos quais pudesse exprimir os pronunciamentos da sua inteligência e os decretos da sua vontade.

Restauremos a Nação na sua autoridade e liberdade de ação: na sua autoridade, dando-lhe os instrumentos de poder real e efetivo com que possa sobrepor-se às influências desagregadoras, internas ou externas; na sua liberdade, abrindo o plenário do julgamento nacional sobre os meios e os fins do Governo e deixando-a construir livremente a sua história e o seu destino.

1 comment 1 01UTC Maio 01UTC 2009

HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO

HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO

 

Período colonial

 

 

“Fundação de São Paulo” (1913) por Antônio Parreiras.

A povoação de São Paulo de Piratininga teve início, em 25 de janeiro de 1554, com a construção de um colégio jesuíta, pelos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no alto de uma colina escarpada entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Tal colégio, que funcionava num barracão feito de taipa de pilão, tinha por finalidade a catequese dos índios que viviam na região do Planalto de Piratininga, separados do litoral pela Serra do Mar.

O nome São Paulo foi escolhido porque o dia da fundação do colégio foi 25 de janeiro, dia no qual a Igreja Católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso, conforme informa o padre José de Anchieta em carta aos seus superiores da Companhia de Jesus:

 

A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso, a ele dedicamos nossa casa.

 

O povoamento da região do Pátio do Colégio teve início, em 1560, quando, Mem de Sá, governador-geral do Brasil, ordenou a transferância da população da vila de Santo André da Borda do Campo, que fora criada por Tomé de Sousa em 1553, para os arredores do colégio, denominado “Colégio de São Paulo de Piratininga”, local alto e mais adequado (uma colina escarpada) para se protejer dos ataques dos índios.

 

 

Pátio do Colégio, construção implantada em sítio considerado a primeira ocupação da cidade.

Desta forma, em 1560, a vila de Santo André da Borda do Campo foi transferida para a região do Pátio do Colégio de São Paulo e passou a se denominar Vila de São Paulo, pertencente à Capitania de São Vicente.

São Paulo permaneceu, durante os dois séculos seguintes, como uma vila pobre e isolada do centro de gravidade da colônia, o litoral, e se mantinha por meio de lavouras de subsistência. São Paulo foi por muito tempo a única vila no interior do Brasil.

Em 1680, a capital da Capitania de São Vicente foi transferida para São Paulo e a capitania passou a se denominar Capitania de São Paulo.

Por ser a região mais pobre da colônia portuguesa na América, em São Paulo teve início a atividade dos bandeirantes, que se dispersaram pelo interior do país à caça de índios porque, sendo extremamente pobres, os paulistas não podiam comprar escravos africanos. Saíam, também, em busca de ouro e de diamantes.

A descoberta do ouro na região de Minas Gerais, na década de 1690, fez com que as atenções do reino se voltassem para São Paulo, sendo criada, em 1710, a nova “Capitania Real de São Paulo e Minas do Ouro”. E, em 1711, São Paulo é elevada à categoria de cidade. Logo em seguida, por volta de 1720, é encontrado ouro, pelos bandeirantes, nas regiões onde se encontram hoje a cidade de Cuiabá e a cidade de Goiás, fato que levou à expansão do território brasileiro para além da Linha de Tordesilhas.

Quando o ouro esgotou, no final do século XVIII, teve início o ciclo paulista do açúcar, que se espalhou pelo interior da capitania de São Paulo, e a cidade de São Paulo tinha a finalidade de escoar a produção para o porto de Santos. Nesta época foi construída a primeira estrada moderna entre São Paulo e o litoral: A Calçada do Lorena.

Período imperial

 

 

São Paulo em 1821. Aquarela de Arnaud Julien Pallière, representando a Várzea do Carmo.

Após a Independência do Brasil, ocorrida onde hoje fica o Monumento do Ipiranga, São Paulo recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por Dom Pedro I do Brasil em 1823.

Em 1827, houve a criação dos cursos jurídicos no Convento de São Francisco (que daria origem à futura Faculdade de Direito do Largo de São Francisco), e isso deu um novo impulso de crescimento à cidade, com o fluxo de estudantes e professores, graças a qual, a cidade passa a ser denominada Imperial Cidade e Burgo dos Estudantes de São Paulo de Piratininga.

 

 

Mapa da cidade em 1874.

Outro fator do crescimento de São Paulo foi o crescimento da produção do café, inicialmente na região do Vale do Paraíba paulista, e depois nas regiões de Campinas, Rio Claro, São Carlos e Ribeirão Preto. De 1869 em diante, São Paulo passa a beneficiar-se de uma ferrovia que liga o interior do estado de São Paulo ao porto de Santos, a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, chamada de A inglesa.

Surgem, no final do século XIX, várias outras ferrovias que ligam o interior do estado à capital São Paulo. São Paulo tornou-se, então, o ponto de convergência de todas as ferrovias vindas do interior do estado. A produção e exportação de café permite à cidade e ao estado de São Paulo um grande crescimento econômico e populacional.

De meados desse século até o seu final, foi o período que a província começou a receber uma grande quantidade de imigrantes, em boa parte italianos, dos quais muitos se fixaram na capital, e as primeiras indústrias começaram a se instalar. É com o fim do Segundo Reinado e início da República que a cidade de São Paulo, assim como o estado de São Paulo, tem grande crescimento econômico e populacional, também auxiliado pela política do café-com-leite e pela grande imigração européia para São Paulo.

República Velha

 

 

Cartão-postal da avenida Paulista em 1902.

Durante a República Velha (1889-1930), São Paulo passou de centro regional a metrópele nacional, se industrializando e chegando a seu primeiro milhão de habitantes em 1928. Seu maior crescimento se deu na década de 1890 quando dobrou sua população. O auge do período do café é representado pela construção da segunda Estação da Luz (o atual edifício) no fim do século XIX e pela avenida Paulista em 1900.

Neste período, o centro financeiro da cidade desloca-se de seu centro histórico (região chamada de “Triângulo Histórico”) para áreas mais a Oeste. O vale do rio Anhangabaú é ajardinado e a região do outro lado do rio passa a ser conhecida como Centro Novo. A séde do governo paulista é transferido, no inicío do século XX, do Pátio do Colégio para os Campos Elísios (bairro de São Paulo).

 

 

Palácio dos Correios em 1922.

Os melhoramentos realizados na cidade pelos administradores Conselheiro Antônio da Silva Prado, o Barão de Duprat e o Dr. Washington Luís contribuem para o clima de desenvolvimento da cidade: alguns estudiosos consideram que a cidade inteira foi demolida e reconstruída naquele período.[21]

Com o crescimento industrial da cidade, no século XX, a área urbanizada da cidade passou a aumentar, sendo que alguns bairros residenciais foram construídos em lugares de chácaras.

A partir da década de 1920 com a retificação e reversão das águas do rio Pinheiros para alimentar a Usina Hidrelétrica Henry Borden, terminaram os alagamentos nas proximidades daquele rio, permitindo que surgisse na zonal sul de São Paulo, loteamentos de alto padrão conhecido hoje como a “Região dos Jardins“.

São Paulo de 1930 até hoje

Em 1932 São Paulo se mobiliza no seu maior movimento cívico: a revolução constitucionalista, quando toda a população se engaja na guerra contra o “Governo Provisório” de Getúlio Vargas.

O grande surto industrial deu-se, durante a Segunda Guerra Mundial, devido à crise na cafeicultura e às restrições ao comércio internacional, o que fez a cidade ter uma taxa de crescimento muito elevada até os dias atuais.

Em 1947, São Paulo ganha sua primeira rodovia asfaltada: A Via Anchieta, (construída sobre o antigo traçado do Caminho do Padre José de Anchieta), liga a capital ao litoral paulista.

Na década de 1950, São Paulo era conhecida como A cidade que não pode parar e como A cidade que mais cresce no mundo.

São Paulo realizou uma grande comemoração, em 1954, do “Quarto Centenário” de fundação da cidade. É inaugurado o Parque do Ibirapuera, lançados muitos livros históricos e descoberta a nascente do rio Tietê em Salesópolis.

 

 

Vila Olímpia, na região da avenida Faria Lima, um dos símbolos da mudança do perfil econômico da cidade.

No período da década de 1930 até a década de 1960, os grandes empreendedores do desenvolvimento de São Paulo foram o prefeito Francisco Prestes Maia e o governador Ademar de Barros. Prestes Maia projetou e implantou, na década de 1930, o “Plano de Avenidas de São Paulo“, que revolucionou o trânsito de São Paulo. [22]

Estes dois governantes são os responsáveis também pelas duas maiores intervenções urbanas que mudaram São Paulo:

  • A retificação do rio Tietê com a construção de suas marginais;
  • O Metrô de São Paulo: Em 13 de fevereiro de 1963, O governador Ademar de Barros e e o prefeito Prestes Maia criaram as comissões (estadual e municipal) de estudos para a elaboração do projeto básico do Metrô de São Paulo, e destinaram ao Metrô suas primeiras verbas.[23]. Naquele ano, São Paulo somava quatro milhões de habitantes.

Iniciado a sua construção em 1968, na gestão do prefeito José Vicente de Faria Lima, o metrô paulistano começou a operar comercialmente em 14 de setembro de 1974.

Atualmente, o crescimento tem-se desacelerado, devido ao crescimento industrial de outras regiões do Brasil. As últimas décadas atestaram uma nítida transformação em seu perfil econômico, que vem adquirindo, cada vez mais, matizes de um grande pólo nacional de serviços e negócios, sendo considerada, hoje, um dos mais importantes centros de comércio global da América Latina.[24]

 

1 comment 26 26UTC Abril 26UTC 2009

MANIFESTAÇÃO DIA13 DE MAIO,PELA VOLTA DA MONARQUIA

MANIFESTAÇÃO DIA13 DE MAIO,PELA VOLTA DA MONARQUIA

Secretaria de Comunicação e Integração Monarquico Nacional – DCI-SP

Informa a Programação da Manifestação Por um Brasil Melhor
Pela Restauração da Monarquia Parlamentarista

Dia 13 de Maio de 2009 – Quarta-feira

As 7h00 Todos devem estar no Diretorio Causa Imperial-SP
As 8h30 Já estaremos presentes no Centro de São Paulo, na praça da sé – em frente a catedral
Ficaremos neste local até as 12h00
As 12h00 iremos em passeata \ caminhada em direção a Prefeitura Municipal
Ficaremos em frente a Prefeitura Municipal até as 17h00
As 17h00 a manifestação sera encerrada.

Se passaram 120 anos desde o Golpe Republicano, não espere mais 120 anos, faça parte desta manifestação.
faça parte da Historia, marcando presença
O Brasil preciso de todos os brasileiros

Não fique parado vendo a Historia passando por você, ficar parado não vai resolver o Brasil.
Pense, reflita e confirme sua presença, marque presença para esse grande acontecimento, o Amanhã depende de você.

Por favor confirme sua presença conosco e faça parte da Historia, garanta um futuro para seus filhos e netos.
Só depende de você.

O Diretorio Causa Imperial-SP esta localizado na Rua do Bosque, 1903 Barra Funda – São Paulo-SP

Anteciosamente, Mário Sérgio
Secretario de Comunicação e integração – DCI-SP

Add comment 21 21UTC Abril 21UTC 2009

18 de abril – aniversário do saudoso PRP

Add comment 18 18UTC Abril 18UTC 2009

Getúlio Vargas seu governo vida e obra Estado Novo Revolução de 1930 Livros sobre Getúlio Vargas – Biografia A morte de Getúlio Vargas na Noite de São Bartolomeu – A última reunião ministerial, o suicídio e a carta testamento.

Bibliografia sobre Getúlio Vargas – clic abaixo e veja:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Get%C3%BAlio_Vargas 

A morte de Getúlio Vargas na  Noite de São Bartolomeu – A última reunião ministerial, o suicídio e a carta testamento.

Por causa do crime da rua Tonelero, Getúlio foi pressionado, pela imprensa e por militares, a renunciar ou, ao menos, licenciar-se da presidência. 

Esta crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, na qual fora aconselhado, por ministros, a se licenciar da presidência. 

Getúlio registrou em sua agenda de compromissos, na página do dia 23 de agosto de 1954, segunda-feira: 

 ”Já que o ministério não chegou a uma conclusão, eu vou decidir: determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida, entrarei com pedido de licença. Em caso contrário, os revoltosos encontrarão aqui o meu cadáver.” -Getúlio Vargas 

Getúlio concordou em se licenciar sob condições, que constavam da nota oficial da presidência da república divulgada naquela madrugada: 

 ”Deliberou o Presidente Getúlio Vargas … entrar em licença, desde que seja mantida a ordem e os poderes constituídos …, em caso contrário, persistirá inabalável no propósito de defender suas prerrogativas constitucionais, com sacrifício, se necessário, de sua própria vida”. — Nota Oficial 

Getúlio, no final da reunião ministerial, assina um papel, que os ministros não sabiam o que era, nem ousaram perguntar. Encerrada a reunião ministerial, sobe as escadas para ir ao seu apartamento. Vira-se e despede-se do ministro da Justiça Tancredo Neves, dando a ele uma caneta Parker 21 de ouro e diz: 

 Para o amigo certo das horas incertas!” — Getúlio Vargas 

A data não poderia ser mais emblemática: Getúlio, que se sentia massacrado pela oposição, pela “República do Galeão” e pela imprensa, escolheu a noite de São Bartolomeu para sua morte.

Suicidou-se com um tiro no coração, nos seus aposentos, no Palácio do Catete, naquela madrugada de 24 de agosto de 1954. 

Assumiu então a presidência da república, no dia 24 de agosto, o vice-presidente potiguar Café Filho, da oposição a Getúlio, que nomeou uma nova equipe de ministros e deu nova orientação ao governo. 

Com grande comoção popular nas ruas, seu corpo foi levado para ser enterrado em sua terra natal. A família de Getúlio recusou-se a aceitar que um avião da FAB transportasse o corpo de Getúlio até o Rio Grande do Sul. A família de Getúlio também recusou as homenagens oficiais que o novo governo de Café Filho queria prestar ao ex-presidente falecido. 

Getúlio deixou duas notas de suicídio, uma manuscrita e outra datilografada, as quais receberam o nome de “carta-testamento”. 

Uma versão manuscrita da carta testamento, assinada no final da última reunião ministerial, somente foi divulgada ao público, em 1967, por Alzira Vargas, pela Revista O Cruzeiro, por insistência de Carlos Lacerda que não acreditava que tal carta manuscrita existisse. Nesta carta manuscrita, Getúlio explica seu gesto:

 ”..Se a simples renúncia ao posto a que fui levado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranqüilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria. Mas tal renúncia daria apenas ensejo para, com mais fúria, perseguirem-me e humilharem-me. Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas. Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes. Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos. Que o sangue dum inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus…”  — Getúlio Vargas 

Uma versão datilografada, feita em três vias, e mais extensa desta carta-testamento, foi lida, de maneira emocionada, por João Goulart, no enterro de Getúlio em São Borja. Nesta versão datilografada é que aparece a frase “Saio da vida para entrar na história”. Esta versão datilografada da carta-testamento até hoje é alvo de discussões sobre sua autenticidade. Chama muito a atenção nela, a frase em castelhano: “Se queda desamparado”. Assim, tanto na vida quanto na morte, Getúlio foi motivo de polêmica. 

Também fez um discurso emocionado, no enterro de Getúlio, na sua cidade natal São Borja, o amigo e aliado de longa data Osvaldo Aranha que disse: 

 Nós, os teus amigos, continuaremos, depois da tua morte, mais fiéis do que na vida: nós queremos o que tu sempre quiseste para este País. Queremos a ordem, a paz, o amor para os brasileiros”! — Osvaldo Aranha 

Oswaldo Aranha, que tantas vezes rompera e se reconciliara com Getúlio, acrescentou: 

 Quando, há vinte e tantos anos, assumiste o governo deste País, o Brasil era uma terra parada, onde tudo era natural e simples; não conhecia nem o progresso, nem as leis de solidariedade entre as classes, não conhecia as grandes iniciativas, não se conhecia o Brasil. Tu entreabriste para o Brasil a consciência das coisas, a realidade dos problemas, a perspectiva dos nossos destinos”.  — Osvaldo Aranha 

No cinqüentenário de sua morte, em 2004, os restos mortais de Getúlio foram trasladados para um monumento no centro de sua cidade natal, São Borja.

http://www.orkut.com.br/Main#FavoriteVideoView.aspx?uid=7686877245421738849&ad=1236622496 

 http://homemculto.wordpress.com/2009/05/01/discurso-do-dr-getulio-vargas-em-10-de-novembro-de-1937-ao-implantar-o-estado-novo/ 

http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Livro/download/&collection_id=97021ee37c9362f1&writer=rl&return_to=Get%C3%BAlio+Vargas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Get%C3%BAlio_Vargas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A bibliografia abaixo sobre Getúlio Vargas e a Era Vargas se constituiu de seus próprios textos ( Diário, A nova política do Brasil e Discursos Parlamentares), depoimentos de seus ministros, seus auxiliares próximos, interventores e participantes da Revolução de 1930.

Para a visão paulista da Revolução de 1930 e da Revolução de 1932 existem as biografias dos principais políticos paulistas e seus depoimentos.

Os estudos historiográficos sobre Getúlio Vargas são vários e o apresentam das mais diferentes maneiras.

Esta bibliografia procura ser a mais variada e abrangente colocando todos os pontos de vistas sobre Getúlio Vargas.

  • __________, Aliança Liberal – Documentos da campanha presidencial, 1ª edição, Rio de Janeiro, Oficinas Gráficas Alba, 1930.
  • __________, Eu fui guarda-costas de Getúlio, Empresa Gráfica O Cruzeiro S.A., Rio de Janeiro, 1949.
  • __________, Peço a Palavra, entrevista com Vicente Bota, Revista Acervo Histórico, número I, página 19 e seguintes, Assembléia Legislativa de São Paulo, 1º semestre de 2004.
  • ALBUQUERQUE, Júlio Prestes de, 1932- Uma Tentativa, Edições do Arquivo do Estado, sp, 1982.
  • AMARAL, Lêonidas do, Os Pródromos da Campanha Presidencial, Edição do Autor, São Paulo, 1929.
  • ALMEIDA, José Américo de, O Ano do Négo – Mémorias , Editora A União, 1978.
  • ASCENSÃO, Vera Lúcia da, Sá, Paulo Sérgio Moraes de, GUIMARÃES, Manoel Luiz Lima Salgado, ESTEVÃO, Silvia Ninita de Moura, orgs., A Revolução de 30 – Textos e Documentos – Tomo I, Editora UnB, Brasília, 1982.
  • ARARIPE, Gen. Tristão de Alencar, Tasso Fragoso, Biblioteca do Exército Editora, 1959.
  • ARAÚJO, Maria Celina de, CASTRO, Celso, orgs, Ernesto Geisel , Editora FGV, RJ, 1997.
  • BARROS, João Alberto Lins de, Memórias de um revolucionário, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1954.
  • BONAVIDES, Paulo e AMARAL, Roberto, Textos Políticos da História do Brasil, 9 volumes, Senado Federal, DF, 2002.
  • BORGHI, Hugo, A força de um destino, Editora Forense Universitária, São Paulo, 1995.
  • BRANDÃO MURAKAMI, Ana M., A Revolução de 1930 e seus antecedentes, Rj, Editora Nova Fronteira, 1980.
  • CAFÉ FILHO, Do sindicato ao Catete, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1966.
  • CALDAS, Joaquim Moreira, Porque João Dantas assassinou João Pessoa, Artes Gráficas, Rio de Janeiro, s/d.
  • CALLAGE, Roque de Oliveira, Episódios da Revolução – 3 a 24 Outubro 1930 , Editora Globo, Porto Alegre, 1930.
  • CAMARGO, Aspácia, Artes da Política – Diálogo Com Amaral Peixoto , Editora Nova Fronteira, 1986.
  • CAMARGO, Aspácia, RAPOSO , Eduardo, FLAKSMAN, Sérgio, O Nordeste e a Política, Diálogo com José Américo de Almeida, Editora Nova Fronteira, Rj, 1984.
  • CAMPOS, Roberto de Oliveira, A lanterna na popa, 1º volume, Topbooks, Rio de Janeiro, 2001.
  • CANUTTI, Wanda A., Getúlio Vargas em Dois Mundos, Capivari, SP, Editora Opinião E., 6a. Edição, 1999.
  • CARDIM, Carlos Henrique, Revolução de 1930 – Textos e Documentos , 2 volumes, Editora da UNB, 1982.
  • CARMO CHAGAS, Política Arte de Minas, Editora Carthago & Forte, Sp, 1994.
  • CARNEIRO, Glauco, História das Revoluções Brasileiras, 2 volumes, Editora O Cruzeiro, 1965.
  • ÍDEM, Lusardo, o último caudilho, 2 volumes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1977.
  • CARVALHO, General Ferdinando de, Lembrai-vos de 35!, Editora Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1981.
  • CARVALHO FILHO, Antônio Balbino, Depoimento na Seção Solene em Comemoração do Centenário do Nascimento do Ex- Presidente Getúlio Vargas, Diário Oficial do Estado de São Paulo, Seção I, nº 93, ano 90, 14 de maio de 1983, página 37, 38 e 39.
  • CASTRO, Pedro Jorge, Carlos Castelo Branco – O jornalista do Brasil, Senac Distrito Federal, 2006.
  • CASTRO, Sertório de, A república que a revolução destruiu, Freitas Bastos & Cia, Rio de Janeiro, 1932.
  • CÉSAR, Afonso, Manuscritos de Getulio Vargas, Editora Cedil, 1994.
  • COUTINHO, Lourival, O General Góis depõe…, Livraria Ed. Coelho Branco, RJ, 1955.
  • CORDEIRO DE FARIAS, Osvaldo, Meio século de combate, Editora Nova Fronteira, 1981.
  • COSTA PORTO, Walter, O voto no Brasil, Editora Topbooks, Rio de Janeiro, 1989.
  • DEBES, Célio, Júlio Prestes e a primeira República, IMESP, São Paulo, 1983.
  • DEBES, Célio, Washington Luís, IMESP, São Paulo, 2 volumes, 2002.
  • DEBES, Célio, 1930 revisitado: A Revolução, Revista da Academia Paulista de Letras, Volume 114, São Paulo, julho de 2001.
  • DEBES, Célio, A “justiça revolucionária criada em 1930″, Revista da Academia Paulista de Letras, Volume 115, São Paulo, dezembro de 2001.
  • DEBES, Célio, A Constituição de 1934 e suas decorrências, Revista da Academia Paulista de Letras, Volume 126, São Paulo, Agosto de 2008.
  • FALCÃO, Armando, Geisel do tenente ao presidente, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1995.
  • DEL PICCHIA, MenottiA Revolução Paulista, São Paulo, 1932.
  • FONTES, Lourival, CARNEIRO, Glauco, A face final de Vargas, Rj, Editora O Cruzeiro, 1966.
  • FONTOURA, João Neves da, Memórias: Borges de Medeiros e seu tempo, Porto Alegre, Editora Globo, 1969.
  • FONTOURA, João Neves da, Memórias: A Aliança Liberal e a Revolução de 1930, Porto Alegre, Editora Globo, 1963.
  • GUEIROS, J.A., Juracy Magalhães, O último tenente, Editora Record, 1996.
  • HAMBLOCK, Ernest, Sua Majestade o Presidente do Brasil, Senado Federal, 2000.
  • HENRIQUES, Afonso, Ascenção e queda de Getúlio Vargas, 3 volumes, Editora Record, São Paulo, 1964.
  • IDEM, Vargas e o Estado Novo, São Paulo, idem, 1961.
  • IDEM, Vargas, Declínio e Queda, idem, 1961.
  • JORGE, Fernando, Getúlio Vargas e seu Tempo, 2 vol., T. A. Queirós, 1986.
  • KOIFMAN, Jorge, organizador, Presidentes do Brasil, Editora Rio, 2001.
  • LACERDA, Carlos, Depoimento, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1977.
  • LAGO, Luiz Aranha Correia do, Oswaldo Aranha, o Rio Grande e Revolução de 1930, ISBN: 8520907040, RJ, 1997, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.
  • LEITE, Aureliano, Memórias de um Revolucionário- A Revolução de 1930 , Edição do Autor, 1931.
  • LEITE, Mauro Renault, JÚNIOR, Novelli, Eurico Gaspar Dutra – o Dever da Verdade, Nova Fronteira, 1983.
  • LESSA, Orígenes, Getúlio Vargas na Literatura de Cordel, Editora Documentário, 1973.
  • LIMA, Valentina da Rocha, org., Getúlio, uma história oral, Editora Record, 1986.
  • LIMA, Valentina da Rocha, Tancredo fala de Getúlio, Editora LP&M, 1986.
  • LOUREIRO, Maria Amélia Salgado, Plínio Salgado, meu pai, Editora GRD, São Paulo, 2001.
  • MACHADO, F. Azenha, Os últimos dias do governo de Vargas, Editora Lux Ltda, Rio de Janeiro, 1955.
  • MASCARENHAS DE MORAIS, Marechal J.B, Memórias, Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1984.
  • MEIRELES, Domingos, 1930 — Os Órfãos da Revolução, SP, Ed. Record, 2005.
  • MELLO FRANCO, Virgílio A. de, Outubro, 1930, Schimidt Editor, RJ, 1933.
  • MONTEIRO, Roberto, Prestes is blomed as Brazil president, Special Cable to The New York Times, 31 de março de 1929, página 47.
  • NASCIMENTO, Alcino João, Mataram o presidente! Memórias do pistoleiro que mudou a história do Brasil, Editora Alfa-Omega – São Paulo, 1978.
  • OLIVEIRA, Percival de – O ponto de vista do PRP: uma campanha politica, São Paulo Editora, 1930.
  • PEREIRA, Maria L, FARIA, Maria A., Presidente Antônio Carlos – Um Andrada na República, o Arquiteto da Revolução de 1930, Nova Fronteira, 1999.
  • PEIXOTO, Alzira Vargas do Amaral, Getúlio Vargas, meu pai, Editora Globo, 1963.
  • RAMOS, Graciliano, Memórias do Cárcere, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1953.
  • RAPOSO, Eduardo, 1930: Seis Versões e uma Revolução, Fundação Joaquim Nabuco/Editora Massangana, 2007.
  • RIBEIRO, Antônio Sérgio, Agonia e morte do presidente Getúlio Vargas, Diário Oficial do Estado de São Paulo – Poder legislativo, 5 a 28 de agosto de 2004.
  • RIBEIRO, Benedicto Valladares, Tempos Idos e Vividos – Memórias , Civilização Brasileira, 1966.
  • RIBEIRO, José Augusto, A Era Vargas, Casa Jorge, 3 volumes, Rio de Janeiro, 2001.
  • SERÁFICO, Luiz, Washington Luis e seus argumentos, Sp, Editora JMJ Ltda, 1997.
  • SETTE CÂMARA, José, Agosto de 1954, Editora Siciliano, São Paulo, 1994.
  • SILVA, Hélio, O ciclo Vargas: 1889 – A república não esperou amanhecer; 1922 – Sangue na areia de Copacabana; 1926 – A grande marcha; 1930 – A revolução traída; 1931 – Os tenentes no poder; 1933 – A crise do tenentismo; 1932 – A guerra paulista; 1934 – A constituinte; 1935 – A revolta vermelha; 1937 – Todos os golpes se parecem; 1938 – Terrorismo em campo verde; 1939 – Véspera de guerra; 1942 – Guerra no continente; 1944 – O Brasil na guerra; 1945 – Por que depuseram Vargas; 1964 – Golpe ou contragolpe?; 1954 – Um tiro no coração; Getúlio Vargas uma biografia política, L&PM, Porto Alegre, 2004.
  • SOBRINHO, Barbosa Lima, A verdade sobre a Revolução de Outubro. Rio de Janeiro, Editora Unitas, 1933.
  • TÁVORA, Juarez, Uma vida e muitas lutas, 3 volumes, Biblioteca do Exército Editora, 1973.
  • VAMPRÉ, Leven, São Paulo Terra Conquistada , Sociedade Impressora Paulista, São Paulo, 1ª Edição, 1932.
  • VARGAS, Getúlio, A nova política do Brasil, 10 volumes, Livraria José Olympio, 1941.
  • ÍDEM, As Diretrizes da Nova Política do Brasil , Editora José Olympio, 1943.
  • ÍDEM, Diário, Siciliano, FGV, 1995.
  • ÍDEM, Perfil Parlamentar de Getúlio Vargas, Discursos 1903-1929, Série Perfis Parlamentares, vol. 2. Porto Alegre, ALRS/Corag, 1997.
  • ÍDEM, A campanha presidencial, Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 1951.
  • ÍDEM, O Estado Novo e o momento brasileiro, Rio de Janeiro, Departamento Nacional de Propaganda, 1938.
  • ÍDEM, A política trabalhista no Brasil, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1952.
  • VERGARA, Luiz, Fui Secretário de Getúlio Vargas , Editora Globo, Porto Alegre, 1960.
  • WAINER, Samuel, Minha Razão de viver, Editora Record, 1987.
  • WHITAKER, José Maria, O milagre de minha vida, São Paulo, Editora Hucitec, 1978.

Add comment 29 29UTC Março 29UTC 2009

História de Uberaba – Fundação de Uberaba

A povoação foi fundada, em 1809, pelo sargento-mor comandante da Companhia de Ordenanças do Distrito do Julgado do Desemboque da Capitania de Goiás, Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira. O Julgado do Desemboque correspondia ao atual Triângulo Mineiro menos a região de Araxá que foi elevada a julgado em 1811 desmembrada do Julgado do Desemboque.

O Sargento-mor Antônio Eustáquio era oriundo do Distrito de Glaura, pertencente à antiga Vila Rica, atual Ouro Preto, onde seu pai, João da Silva de Oliveira, fora vereador por três mandatos na época da Inconfidência Mineira.

O Sargento-Mor Antônio Eustáquio, buscando desbravar novas terras na região, foi também fundador, entre os anos de 1810 e 1813, do arraial denominado Nossa Senhora do Carmo dos Morrinhos, atual município de Prata.

Da família fundadora do Uberaba, Sargento-mor Antônio Eustáquio, seus irmãos e primos, o descendente mais ilustre é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tetraneto do Capitão-General José Manuel da Silva e Oliveira.

Uberaba surgiu pela migração de geralistas, como eram chamados os habitantes das Minas Gerais na época do Brasil Colônia, os quais deixaram as já esgotadas regiões produtoras de ouro, porém fracas para agricultura, da Capitania de Minas e de Goiás (Desemboque), em busca de terras férteis para se estabelecerem como agricultores e pecuaristas.

Entre estes pioneiros, além dos Silva e Oliveira, estavam, entre outros, os Rodrigues da Cunha vindos de Cachoeira do Campo, e os Bernardes da Silveira, Rodrigues Gondim e Alves Gondim vindos de Formiga (Minas Gerais).

O local onde se instalou o Arraial de Uberaba, inicialmente denominado sertão da Farinha Podre, às margens do Córrego das Lages, foi escolhido por existirem, naquela área, formadas por seis colinas (Boa Vista, Estados Unidos, da Matriz, Cuiabá, Barro Preto e a colina da Misericórdia), grande quantidade de nascentes de córregos no alto destas colinas. Sendo que as primeiras “moradas de casas“, como se dizia na época, foram construídas próximas às nascentes destes córregos.

As terras do novo arraial pertenciam à Fazenda das Toldas, ainda existente, e foram doadas, em 1812, por seu proprietário Tristão de Castro Guimarães.

O “Arraial” de Uberaba, na época pertencente ao Julgado do Desemboque, Capitania de Goiás, foi elevado à condição de “Distrito de Índios” em 13 de fevereiro de 1811.

Em 1816, a região do Triângulo Mineiro, que na época compreendia o “Julgado do Desemboque” (onde Uberaba se encontra) e o “Julgado do Araxá”, deixou de pertencer à Capitania de Goiás e foi anexada à Capitania de Minas Gerais.

Estes dois julgados (Desemboque e Araxá) ficaram pertencendo à Vila e comarca de Paracatu do Príncipe. A comarca de Paracatu foi criada em 1815.

O Sargento-Mor Eustáquio pediu e conseguiu de D. João VI a elevação de Uberaba à categoria de freguesia em 2 de março de 1820 com o nome de Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião do Uberaba, desmembrada da Freguesia do Desemboque.

Em 1831 é criada a Vila de Araxá, a qual Uberaba fez parte até sua emancipação política em 1836.

O sargento-mor Antônio Eustáquio foi o líder político de Uberaba até sua morte em 1832, quando assumiu o seu lugar, seu irmão Capitão Domingos da Silva e Oliveira que foi o líder político de Uberaba até sua morte em 1852, e, que conseguiu, em 1836, a emancipação política de Uberaba, então pertencente à Vila de Araxá. O Capitão Domingos havia trabalhado, também, em 1831, para a elevação de Araxá à categoria de vila.

Em 22 de fevereiro de 1836, Uberaba foi elevada à categoria de município, desmembrando-se de Araxá. Em 7 de janeiro de 1837, é instalada a Câmara Municipal, tomando posse os primeiros vereadores, tendo o Capitão Domingos como seu primeiro presidente.

Em 1840, Uberaba é elevada à categoria de comarca, desmembrada da comarca de Paracatu.

Uberaba é elevada à categoria de cidade em 2 de maio de 1856.

Uberaba, na Guerra do Paraguai, foi passagem das tropas federais, e recebeu o Visconde de Taunay.

Na década de 1870, criadores de Uberaba introduzem o gado zebu no Brasil.

Em 1889 chega a Uberaba os trilhos da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

Em 1899 é criado o “Clube Lavoura e Comércio” com o objetivo de defender a lavoura e a pecuária, combatendo alta de impostos e interferências do governo republicano na atividade rural. É lançado o jornalLavoura e Comércio” que, em seu primeiro número, ocupando toda sua primeira página, expõe os ideais dos ruralistas.

Em 1905 é inaugurada a energia elétrica na cidade.

Em 1906 tem início as exposições de gado bovino. Exposições que foram muito prestigiadas pelo Dr. Getúlio Vargas, nas décadas de 1930 a 1950.

Em 29 de setembro de 1907 é criada a Diocese de Uberaba, elevada à categoria de arquidiocese e sede metropolitana em 14 de abril de 1962.

Durante a Revolução de 1932 foram travados combates entre mineiros e paulistas na fronteira com o estado São Paulo, na “Ponte do Delta, que ligava Uberaba com o estado de São Paulo. Uberabenses, liderados por Roberto de Genari, constroem um carro blindado para enfrentar os paulistas na “Ponte do Delta”.

Na década de 1940, começam a serem encontrados fósseis de animais pré-históricos na região da antiga Estação de Trem de Peirópolis.

Em 1946, o escritor Monteiro Lobato passou por Uberaba e fez um discurso da Campanha O Petróleo é Nosso.

Em 10 de setembro de 1950, o dr. Getúlio Vargas, na sua campanha para presidente da república, faz um discurso em Uberaba em defesa da pecuária. Lembrando sua condição de pecuarista, Getúlio diz:

Quero que saibam que lhes vou dizer as coisas na linguagem simples de companheiro. Nossa conversa será no jeito e estilo daqueles que os fazendeiros costumam fazer de pé, junto á porteira do curral. Lutando contra opiniões que combatiam a introdução do gado zebu no Brasil, os fazendeiros do Triângulo Mineiro apoiados exclusivamente no seu próprio trabalho e nos seus próprios recursos arrostaram todos os percalços da tremenda luta que se feriu, e que, afinal, lhes conferiu incontestada vitória. De então para cá, o Brasil Central passou a ter expressão econômica, transformando-o de uma vasta solidão inaproveitada, que era então, no grande reduto econômico e francamente ativo da atualidade.

Getúlio Vargas

Em 24 de abril de 1952, ocorre uma revolta em Uberaba contra os altos impostos cobrados pelo governo estadual chefiado por Juscelino Kubitschek. O edifício da Coletoria Estadual é destruído, assim como os postos de cobrança de impostos nas entradas da cidade. A revolta só terminou com a chegada de tropas do 4º Batalhão de Caçadores, vindas de Belo Horizonte, de avião, e que ocuparam as ruas do centro de Uberaba portando metralhadoras. A revolta foi notícia no New York Times.[5]

Em 1956, em Uberaba, acontecem grandes comemorações em homenagem ao seu primeiro centenário de elevação à categoria de cidade.

Em 1957, a senhora Aparecida Conceição Ferreira, a “Dona Cida”, funda o Hospital do Fogo Selvagem, referência nacional no tratamento do pênfigo foliáceo.

Em 1959, fixa residência em Uberaba, o médium Chico Xavier que se tornaria o mais conhecido dos médiuns brasileiros. 

 Documentos da história municipal

Transferência do Triângulo Mineiro à Capitania de Minas Gerais
Alvará de 4 de abril de 1816

Eu, El Rei, faço saber aos que este meu alvará virem, que tendo creado a nova Comarca de Piracatú, assignando-lhe os limites, que me parecem proprios, na fórma do Alvará de 17 de maio do anno passado de 1815, e representando-me os povos da Campanha do Araxá, que comprehende os dous Julgados e Freguezias de S. Domingos e Desemboque, os grandes incommodos que supportam em viverem sujeitos à Capitania e Comarca de Goyaz, cuja Capital lhes fica em distancia de mais de 150 leguas, sendo lhes penosos os recursos, de que frequentemente necessitam; ao mesmo passo que estando elles sujeitos á Capitania de Minas Geraes e á Ouvidoria de Piracatú que lhes fica proxima, podem ser mais facilmente ouvidos e soccorridos nas suas dependencias, sem serem obrigados a desamparar as suas casas e culturas de suas terras, ficando tambem mais desembaraçados e promptos pra se empregarem no meu real serviço: e querendo eu evitar-lhes tão penosos incovenientes, e promover as comodidades daquelles povos, que, pela sua industria e digna aplicação á lavoura, se fazem dignos da minha real comtemplação;…..Hei por bem separar e desannexar da Capitania e Comarca de Goyaz os ditos dous Julgados e Freguezias de S. Domingos do Araxá e Desemboque, com todo o territorio que lhes pertence; em mando que deste alvará em diante fiquem pertencendo á Capitania de Minas Geraes e á Comarca de Piracatú, fazendo parte dos limites desta….Dado no Rio de Janeiro a 4 de abril de 1816“.

Criação da freguesia de Uberaba
Decreto de 2 de março de 1820

Cria uma freguesia no distrito de Uberaba (do tupi “água cristalina”), em Minas Gerais, com a invocação de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba, e manda fundar uma capela curada na mesma Freguesia. “…Sendo-Me presente o grande desgosto que sofrem os colonos estabelecidos no Sertão da Farinha Podre, por se verem privados de socorro e pasto espiritual, sem que o possa obter com facilidade da Freguesia do Julgado do Desemboque, que dali dista mais de 60 léguas: Hei por bem que se estabeleça uma freguesia no distrito de Uberaba até a confluência do rio Paranaíba e rio Pardo, com a invocação de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba, dividindo-se com a Capela de N. S. Do Monte do Carmo, e com a Freguesia do Desemboque, por onde mais conveniente for. E Sou outrossim servido, que nesta nova Freguesia haja também uma capela curada, no lugar que mais convier, para comodidade dos habitantes que novamente se acham por ali estabelecidos. A Mesa da Consciência e Ordens o tenha assim entendido, e faça executar com os despachos necessários. Palácio do Rio de Janeiro em 2 de março de 1820.

Com a rubrica de Sua Majestade

Ata da instalação do município de Uberaba

“Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e trinta e sete, décimo sexto da Independência e do Império, aos sete dias do mês de janeiro do dito ano, neste Arraial de Santo Antônio e São Sebastião do Uberaba, Comarca do Rio Paracatu do Príncipe, Província de Minas Gerais, em nova Casa, construída pelos Cidadãos do novo Termo, para servir de Paço da Câmara que vai se instalar perante os novos vereadores que hão de formar, eleitos na forma da Lei. E, em presença dos cidadãos que concorreram a este Ato, leu, o Capitão Domingos da Silva e Oliveira, o Ofício da Câmara Municipal da Vila do Araxá, pelo qual o convidava, como cidadão mais votado, a prestar juramento para Presidente da nova Câmara; E declarando que o tinha feito, leu a Certidão do mesmo juramento prestado a 20 de dezembro de mil oitocentos e trinta e seis. Leu a Portaria da Presidência da Província de Minas Gerais, de vinte de julho do dito ano, que ordena a execução da Lei Mineira número 28, que elevou este Arraial à Vila e que lhe marcou seus limites“.

Nota: Esta citada casa, construída pelo Capitão Domingos da Silva e Oliveira para servir de Casa de Câmara e Cadeia de Uberaba, ainda hoje serve como Gabinete do Prefeito e de Câmara Municipal de Uberaba.

1 comment 28 28UTC Outubro 28UTC 2008

Previous Posts


Categorias

2010 - Eleições aborto américa latina cinema comunismo comunismo na igreja católica crítica CULTURA documentos históricos economia El chávez del ocho eua europa FILOSOFIA foro de são paulo história do brasil legislação livros lula mst nova ordem mundial - nova era obama politicamente correto pt revolução de 1964 saúde terrorismo terrorismo no brasil terrorismo petista Uncategorized

Blogroll

Blog Stats

mais acessados

Tópicos recentes

Comentários

Arquivos

 

Novembro 2009
D S T Q Q S S
« Out    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Meta