Posts filed under 'CULTURA'
Cerimônia de Casamento
Aquela era a segunda vez que ela entrava em uma Igreja, vestida de noiva. A primeira vez, 15 anos antes, entrara como daminha de honra de uma tia sua.
TODOS OLHAM PARA TRÁS À ESPERA DA PORTA DA IGREJA SE ABRIR.
Aqueles que, como eu, eram mais sensíveis, tinham percebido a malícia da daminha ao lado do garotinho de terno. Os menos avisados só repararam no encanto da menininha tão meiga.
ENTRA COM O SEU PAI, VAI DESFILANDO BEM DEVAGAR.
Às vezes penso que foram suas intimidades com seu pai, como tomar banho junto, que provocaram a sua inversão sexual na adolescência.
SORRI PARA MUITOS ROSTOS JOVENS E BONITOS. MOÇAS QUE SE APERTAVAM, UMAS AS OUTRAS, PARECENDO DESEJAREM ESTAR AO SEU LADO NA NAVE DA IGREJA.
Ademais, a sua iniciação sexual fora cedo, com os priminhos e coleguinhas, em brincadeirinhas divertidas. Eu, sendo muito tímido, não tinha coragem de brincar com ela. Infância feminina vivida desta forma faz quase zerarem as expectativas e curiosidades sexuais na adolescência, exceto aquelas por outras meninas.
OS PRIMINHOS ALI PRESENTES, DE TERNO, ADMIRAM O SEU ROSTO ANGELICAL QUE NÃO PARECIA NADA COM O ROSTINHO DE SAFADINHA DOS TEMPOS DE CRIANÇA.
Tinha tanto carisma já na adolescência, tinha tanto carinho por suas amantes, que era impossível saber por qual delas estaria apaixonada.
OLHA BEM FUNDO QUANDO PASSA PELAS AMIGAS QUE ESTAVAM NAS PRIMEIRAS FILEIRAS DE BANCOS DA IGREJA. PARECIA DIZER: – NÃO AS ESTOU ABANDONANDO!
Para todos os efeitos e para a sociedade, era virgem, prendada e caseira.
- ESTAMOS AQUI REUNIDOS PARA UNIR ESSE HOMEM E ESSA MULHER!
Ela prezava muito todos aqueles valores. E queria muito entrar para a sociedade, ter família e filhos, não ficar só quando a beleza se for, e esconder da sociedade tudo o que já tinha feito e o que talvez ainda fizesse.
- SE ALGUÉM TIVER ALGO A DIZER QUE IMPEÇA ESSE CASAMENTO!
Qualquer uma das moças poderia dizer: – Ela é minha, não pode! Ou, algum dos primos, dizer: – Ela ainda me ama!
Mas todos quiseram que desse tudo certo, que se tenha um novo começo, uma vida nova. Ou foi isto, ou as moças acreditavam que continuaria tudo como sempre foi.
- PROMETE AMÁ-LO E RESPEITÁ-LO? OLHOU FIXO: – SIM, PROMETO!
Em toda confissão se tem a oportunidade de jurar não mais pecar, sendo sincero realmente na hora, porém sabendo que não seria a última confissão.
Também fui sincero, eu também disse com convicção: – Prometo!
- COLOQUE A ALIANÇA NO DEDO DELA E DIGA:
Eu também estava tendo uma chance de começar vida nova.
Se os dois, se só um, ou, se nenhum, resistiria e cumpriria o prometido, caberia ao futuro responder.
- E EU OS DECLARO MARIDO E MULHER! PODE BEIJAR A NOIVA!
==============================================
Aquela foi a segunda vez que entrei numa Igreja, vestida de noiva. A primeira vez, 15 anos antes, fui daminha de honra da tia Beth.
TODOS OS OLHARES FICARAM FIXOS EM MIM QUANDO A PORTA DA IGREJA SE ABRIU E ME VIRAM.
Não entendia nada daquilo tudo de daminha e casamento. O garotinho de terno que ia comigo não parava de apertar muito forte a minha mão. Os menos avisados só repararam no encanto do mini casal, nem imaginaram a raiva que eu passei.
ENTREI COM PAPAI, DESFILANDO BEM DEVAGAR.
O verdadeiro amor de uma moça feliz é sempre seu pai. Papai é o maior feminista do mundo, sempre me apoiou em tudo.
SORRI PARA MUITAS AMIGAS. PISQUEI PARA A DÓRINHA QUE SEMPRE ME TRAZIA NOVAS MENINAS. SEMPRE SOUBE PARTILHAR. COMO ME SÃO FIÉIS! TODAS VIERAM AO MEU CASAMENTO E NENHUMA ESTAVA DE CARA AMARRADA.
Divertíamos e nos amávamos tanto e com a maior inocência, muito igual às brincadeiras sexuais de infância, na casa de tia Beth, com meus primos. (Droga! Como eles mudaram quando cresceram!). Sexo sem culpa e sem medo. Como gostávamos de nos abraçar, seios contra seios, dançar, caminhar de mãos dadas…
MEUS PRIMOS IMUNDOS TINHAM QUE APARECER TAMBÉM! AF! ESTAVAM TODOS ME SECANDO.
Tarados machistas que não sabem perder. Quando estão a sós conosco nos derrubam. Em público gritam: – Não mexe com minha prima!
Que diferença de minhas amigas que se desdobram por mim, como a Luisinha do meu coração, que se entregou, por um bom tempo, para meu noivo, a meu pedido, para que ele aprendesse a fazer sexo com mulheres e para eu saber se, afinal das contas, ele não se tornaria como meus primos que tratam as mulheres como objeto de prazer.
OLHEI COM MUITO CARINHO PARA TODAS ELAS. ESTAVAM NAS PRIMEIRAS FILAS DE BANCOS DA IGREJA. ELAS SABEM QUANTO AS AMO E QUANTO AS AGRADEÇO POR TANTO AMOR QUE ME DÃO!
E somente quando adquiriu autoconfiança e experiência com as mulheres que ele se arriscou a pedir a minha mão em namoro. Esperou desde a infância por esse dia. Nunca deverá saber que foi eu que arranjei tudo.
- ESTAMOS AQUI REUNIDOS PARA UNIR ESSE HOMEM E ESSA MULHER!
O Bruno jura que, no tempo do Tiro de Guerra, cansou de vê-lo caçar bichas na Alameda Paulista. As meninas acham que ele é um daqueles invertidos que se cansaram de esperar o dia de serem finalmente desejados por um garoto lindo.
- SE ALGUÉM TIVER ALGO A DIZER QUE IMPEÇA ESSE CASAMENTO!
Eu estava tranqüila. Aqueles primos tranqueiras não iriam abrir o bico, pois ameacei contar que me agarravam. Claro que não faria isso com eles, mas serviu para esfriarem a cabeça.
- PROMETE AMÁ-LO E RESPEITÁ-LO?
Para mim, nada mais fácil: O que mais sei fazer na vida é respeitar e amar as pessoas. Além disso, era o segundo grande bem que lhe fazia na vida.
- COLOQUE A ALIANÇA NO DEDO DELA E DIGA:
Queira Deus que ele não tente me sufocar como aqueles invertidos que têm ciúmes loucos de suas esposas por medo de, se perdê-las, terem que voltar à antiga vida.
- E EU OS DECLARO MARIDO E MULHER! PODE BEIJAR A NOIVA!
Add comment 27 27UTC Novembro 27UTC 2009
CULTURA PAULISTA O CAIPIRA TAL COMO ELE É POR CORNÉLIO PIRES CULTURA CAIPIRA INTERIOR PAULISTA
Os diversos caipiras, segundo Cornélio Pires
Autoria: Cecílio Elias Netto
Cornélio Pires contestou intelectuais que tachavam o caipira de inútil, bêbado, ridículo e até ladrão
Nascido em Tietê, Cornélio Pires conseguiu, ao mesmo tempo, conhecer a alma paulistana do início do século XX, quando morou em São Paulo, e a alma caipira, em sua vivência nas cidades interioranas, ditas também caipiras, como Botucatu e Piracicaba. Foi, sem mais discussões, o grande pioneiro do folclore e da literatura regional paulistas.
Em 1910, estreou com o livro “Musa Caipira”, que iria tornar-se um dos clássicos dessa literatura regional. Na imprensa de Piracicaba, publica, em 1914, a novela “Tragédia Cabocla”, em dialeto caipira, onde registrou “rezas e muxirões, com sambas e bate-pés”. Nessa época, nasce, também, o Cornélio Pires humorista-conferencista, que iria correr o Brasil levando a sabedoria, a picardia e a malícia do caipira paulista.
O caipira de Cornélio
Sem metodologia ou qualquer pretensão acadêmica, Cornélio Pires, com sua vivência junto ao caipira de São Paulo, acabou criando a sua própria teoria sobre ele. Tentou descrevê-lo, “tal como é”, reagindo ao pessimismo de “certos escritores”, conforme escreveu, que apresentam o caipira, “o camponês brasileiro coberto do ridículo, inútil, vadio, ladrão, bêbado, idiota e `nhampã´!”
Como que repetindo Euclydes da Cunha, Cornélio Pires qualifica o caipira: “é um obscuro e um forte”. E parece compor um hino ao narrar-lhe a saga:
“Ei-lo tangendo suas `tropas´cargueiras, empoeiradas ou cobertas de lama, pelos caminhos tortuosos e esburacados, furando matas virgens, galgando montanhas ásperas, vadeando rios revoltos e pestíferos, afrontando pantanais e `atoledos´, atravessando campos e campos, vencendo dezenas de léguas a pé ou arcado e molengão sobre o burro manteúdo, ao monótono `belém-belém´do sino pendurado ao pescoço da madrinha ruana!
Esse caipira – assim o enxerga Cornélio Pires – é nascido “fora das cidades, criados em plena natureza” e, por isso, se tornam “tímidos e desconfiados ao entrar em contato com os habitantes da cidade”. No entanto, são expansivos , alegres, folgazões e francos quando “em seu próprio meio”, onde, “revelando rara inteligência”, são “mais argutos, mais finos que os camponeses estrangeiros”, referindo-se aos colonos imigrantes.
E completa: “Dócil e amoroso é todo camponês; sincero e afetivo é o caipira.”
Classificação caipira
A partir de suas observações pessoais e vivência, Cornélio Pires “classificou” quatro tipos de caipiras: o branco, o caboclo, o preto e o mulato.
CAIPIRA BRANCO – Fosse hoje, Cornélio Pires seria qualificado como “politicamente incorreto” ou preconceituoso. São textuais as suas observações sobre o caipira branco: “quer dizer de melhor estirpe. Meia mescla, descendente de estrangeiros brancos, gente que possa destrinçar a genealogia da família até o trisavô, confirmando pelo procedimento o nome e a boa fama dos seus genitores e progenitores.”
Esses “caipiras brancos” descendem dos primeiros povoadores e de fidalgo ou “nobres decaídos de suas pompas”. Cornélio Pires descreve-os: “por mais pobres que sejam, são sempre proprietários e, com seus cobrinhos e suas terra, podem andar remendados mas andam limpos. Usam chinelos de liga, sapatões ou botinas de elástico, são altos e não têm pés muito grandes. As barbas são abundantes e os lóbulos das orelhas, gordos e destacados das faces. Não dispensam o paletó, não usam colete, mas não passam sem um lenço amarrado ao pescoço, chapéu de pano, calça de riscado e uma boa cinta de couro curtido.”
As “caipiras brancas”, por sua vez, “são mulheres asseadas e amorosas, fugindo às cores berrantes tão apreciadas pelos caipiras caboclos. Excessivamente pudicas, suas filhas, aos sete para oito anos, já usam saias compridas…” Os penteados prediletos delas são: “pericote na nuca ou no alto da cabeça; a trança longa e cheia ou duas tranças pendentes, usando, também, quando pouco cabeludas, trancinhas em rondilha.”
Os “caipiras brancos” são, para o escritor, “os mais hospitaleiros dos homens.”
CAIPIRA CABOCLO – Seriam os descendentes diretos dos bugres, catequisados pelos primeiros povoadores do sertão. Enquanto o “caipira branco” dizia pertencer a uma família – Amaral, Arruda Campos, Botelho e outras – o “caipira caboclo” referia-se a si mesmo: “eu sou da raça de tal gente…” Fortes e magruços, Cornélio Pires diz que não ficavam carecas e nem sofriam do coração ou conheciam a tuberculose. Barba rala, fios espetados aqui e ali, pele bronzeada, “cor de cuia ou de cobre”.
As famílias de “caipiras brancos” raramente aceitavam casamentos com “caipiras caboclos”. O prestígio da “caboclada” não era dos melhores: inteligentes e preguiçosos, velhacos, barganhadores como os ciganos, desleixados, sujos e esmulambados, mas valentes, brigadores e ladrões de cavalos…” E o escritor faz o resumo de suas vidas: “caçar, pescar, dormir, fumar, beber pinga e tocar viola, enquanto a mulher, guedelhuda e imunda, vai pelos vizinhos, pidonha e descarada, fkla dos bons trabalhadores o feijão, o toicinho, café, a farinha.” E conclui, lembrando ser esse caboclo a figura do “Jeca Tatu”, criada por Monteiro Lobato: “Além de sujo é roto. Mas, graças a Deus, esse tipo vai desaparecer…”
CAIPIRA PRETO – Os descendentes dos africanos. Segundo Cornélio: “os bons brasileiros vítimas ainda das últimas influências da escravidão. Almas carinhosas e pacientes, generosas e humildes, os ´negros velhos`…” E lembra-se deles, “conversando ao pé do fogo, sentados numa pedra, no terreiro, na soleira de uma porta, aquecendo-se ao sol, pobres, depois de terem, com o seu suor, inundado as fazendas de patrícios seus, enchendo-os de dinheiro.”
Já surgira, porém, “o novo caipira preto” que, na descrição corneliana, vive numa “casa quase sempre limpa, coberta de sapé mas cercada de lavoura, com sua plantação de cana, um pouco de café e cereais. Tem um punhado de “santos no terreiro”, em mastros, são João, santo Antônio, são Benedito. É cavalheiresco e gentil, batuqueiro, sambador e `bate´ dez léguas a pé para cantar um desafio num fandango ou `chacuaiá´`o corpo num baile da roça.”
CAIPIRA MULATO – Que Cornélio diz ser “oriundo do cruzamento de africanos ou brasileiros pretos com portugueses, e brasileiros brancos, e raramente com o caboclo.” Este é, para o escritor, “o mais vigoroso, altivo, o mais independente e o mais patriota dos brasileiros”. Excessivamente cortês, galanteador para com as senhoras, jamais se humilha diante do patrão. Apreciador de sambas e bailes, não se mistura com o “caboclo preto”.
Nas primeiras décadas do século XX, Cornélio Pires insistia no surgimento, em São Paulo, de “um noto tipo de caipira mulato, simpático, robusto e talentoso, destacando-se nos grandes centros, após breves estudos: o mestiço do italiano com a mulata ou do preto tão estimado por algumas italianas.”
CAIPIRA CAFUZO – Raro em São Paulo.
Add comment 5 05UTC Outubro 05UTC 2009
morre musa inspiradora dos Beatles Lsd lucy in the sky John Lennon’s elder son Julian said it was inspired by a picture he drew of his classmate Lucy O’Donnell when they were at a nursery school in Weybridge, Surrey, in 1966
Add comment 28 28UTC Setembro 28UTC 2009
OS 11 onze MANDAMENTOS DA MULHER diferenças entre mulheres e homens
1. Mulher não mente – Omite fatos.
2. Mulher não fofoca – Troca informações.
3. Mulher não trai – Se vinga.
4. Mulher não fica bêbada – Entra em estado de alegria.
5. Mulher nunca aborrece ninguém – Apenas é sincera.
6. Mulher não grita – Testa as cordas vocais.
7. Mulher nunca chora – Lava as pupilas dos olhos com frequência.
8. Mulher nunca olha para um homem com segundas intenções – Apenas verifica as suas formas anatómicas.
9. Mulher sempre entende o que homem diz – Só pede que explique novamente para testar sua capacidade de raciocínio.
10. Mulher não sente preguiça – Descansa a beleza.
(e o melhor…)
11. Mulher nunca engana os homens – Pratica o que aprendeu com eles.
Add comment 16 16UTC Agosto 16UTC 2009
40 quarenta ANOS woodstock Woodstock completa 40 anos de paz, amor e rock neste sábado depoimentos melhor canção de woodstock escolha, dê seu depoimento, DE WOODSTOCK O FIM DO SONHO Ideário vive no som de butique de bandas como Magic Numbers, Kings of Leon e lendas como joe cocker e Janis Joplin
=
VEJA DEPOIMENTOS E REPORTAGENS, escolha canção preferida:
http://madame.lefigaro.fr/culture/enquetes/584-les-yeux-de-woodstock
Que venaient chercher tous ces jeunes ?
R. A. - Je pense que le but premier était d’écouter de la très bonne musique, ensemble. Évidemment, dans les bois, à toutes les intersections, on pouvait acheter librement toutes sortes de drogues comme du haschich ou des acides.
E. L. - La plupart voulaient faire partie d’un mouvement, entrer dans un état d’esprit de partage avec l’idée de changer le monde. La marijuana est une plante qui ouvre l’esprit, cela faisait partie de Woodstock. L’alcool a provoqué des bagarres, pas les joints.
=
=
Add comment 11 11UTC Agosto 11UTC 2009
ESCOLHA AS 7 SETE MARAVILHAS NATURAIS DA NATUREZA DO MUNDO –
Add comment 21 21UTC Julho 21UTC 2009
O caipira como ele é – análise profunda do folclorista Cornélio Pires
Movendo e estudando tipos de “caipiras” nesta obra, especialmente caipiras paulistas, ao classificá-lo, não faço referências ao “cafuz(2) e ao “caboré(3), raros neste Estado.
O nosso caipira tem sido uma vítima de alguns escritores patrícios, que não vacilam em deprimir o menos poderoso dos homens para aproveitar figuras interessantes e frases infelizes como jogo de palavras.
“Caipiras”… Mas que são os caipiras?
São os filhos das nossas brenhas, de nossos campos, de nossas montanhas e dos ubérrimos vales de nossos piscosos, caudalosos, encaichoeirados e inumeráveis rios, “acostelados” de milhares de ribeirões e riachos.
É fato: o caipira puxador de enxada, com a maior facilidade se transforma em carpinteiro, ferreiro, adomador, tecedor de taquares e guembê, ou construtor de pontes. Basta-lhe uma só”explicação bem clara; ele responderá: “Se os ôtro fáiz… proque não hi de fazê!… Não agaranto munto, mais vô exprementá”.
Os caipiras não são vadios: ótimos trabalhadores, têm crises de desânimo quando não trabalham em suas terras e são forçados a trabalhar como camaradas, a jornal. Nesse caso o caipira é, quase sempre, uma vítima.
O trabalhador estrangeiro(4) tem suas cadernetas, seus contratos de trabalho, a defesa do “Patronato Agrícola” e seus cônsules… Trabalha e recebe dinheiro. Ao nacional, com raras exceções o patrão paga mal e em vales com valor em determinadas casas, onde os preços são absurdos e os pesos arrobalhados; nesse caso o caipira não tem direito a reclamações nem pechinches, está comprando fiado… com o seu dinheiro, o fruto do seu suor, transformado em pedaço de caderneta velha rabiscada a lápis.
E querem que o brasileiro tenha mais ânimo!
Ânimo não lhe falta, quando trabalha em suas próprias terras. As suas algibeiras e o seu crédito nas lojas e vendas o confirmam.
Deixem os fazendeiros de explorar o nacional, pagando-lhe em moeda corrente; que ele veja e sinta o dinheiro, o seu dinheiro, fruto do seu labor, e ele será outro.
Dócil e amoroso é todo camponês; sincero e afetivo é o caipira.
Não cuido aqui do caipira da cidade(5) Esse sabe ler, é bom, é fino, e só lhe falta o traquejo das viagens, o desenleio e o desembaraço adquiridos no contínuo contato com as populações dos grandes centros. Esse é menos desconfiado que o do sítio, mas revela grande timidez num meio grande e estranho, imaginando que todo mundo o observa, chasqueando-os, trocando-lhe o andar e o jeito.
Da cidade ou do sítio o caipira é sempre prejudicado pelo seu excesso de modéstia. É que em nossa terra, trancada de magníficas inteligências, parece que toda a gente é obrigada a ter talento! Daí o pouco caso a que são votados homens que brilhariam em outras terras.
A música e o canto roceiros são tristes, chorados em falsete; são um caldeamento da tristeza do africano escravizado, num martírio contínuo do português exilado e sentimental, do bugre perseguido e cativo. O canto caipira comove, despertando impressões de senzalas e tapéras. Em compensação, as danças são alegres e os versos quase sempre jocosos.
I – O CAIPIRA BRANCO
Neste caso, branco quer dizer de melhor estirpe, meia mescla, descendentes de estrangeiros brancos… gente que possa destrinçar a genealogia da família até o trisavô, confirmando pelo procedimento o nome e a boa fama dos seus genitores e progenitores. Podem ser alvos, morenos ou trigueiros… são brancos.
Descendem geralmente dos primeiros povoadores, fidalgos ou nobres decaídos de suas pompas, ou de brancos europeus atraídos para a nossa terra pela árvore das patacas e que, nos sertões de então, fecundos latinos, deixaram a sua descendência. A média de filhos do caipira branco é de 8, e ele consegue criá-los.
São esses os caipiras reclamadores de escolas. Seus filhos, engarupados no pangaré, freqüentam aulas na cidade a uma e meia léguas de distância, quando não há escola no bairro.
Por mais pobres que sejam, com seus cobrinhos, suas terras, porque eles são sempre proprietários, podem andar remendados, mas andam limpos. Usam chinelos de liga ou cara de gato, sapatões de vaqueta branca-amarelada ou botinas de elástico, pés não muito grandes, porém altos; barba abundante e os lóbulos da orelha gordos e destacados das faces. Não dispensam o paletó, não usam colete, não passam sem um lenço amarrado no pescoço; chapéu de pano, calça de riscado, e uma boa cinta de couro curtido, couro de sapateiro, como dizem eles.
As mulheres são asseadas e amorosas, fugindo às cores berrantes tão apreciados pelos caipiras caboclos. Excessivamente pudicas, suas filhas aos sete para oito anos já usam saias compridas…
Seus penteados prediletos são o pericote na nuca ou no alto da cabeça; a trança longa e cheia, ou duas tranças pendentes, usando também, quando pouco cabeludas, trancinhas em rodilha.
Os caipiras brancos, mesmo quando pobres, são respeitados pelo caboclo pobre ou rico e pelos pretos.
Se os filhos são analfabetos, em compensação são gentis e bem educados.
Pouco dados à cachaça, são sóbrios e alegres, comedidos nos gestos, compassivos, bonachões e pacientes.
As suas casas, apesar de ser de barro e telha vã, são asseadas, bem varridas, ostentando nas linhas enxadas envernizadas pelo uso, ficando atrás da porta os machados e foices. Nas estanqueiras não faltam a espingarda, a patrona de couro de jaguatirica o laço, o cabresto, o bornal, o freio, o serigote ou socado, o corote, o samburá e um pala.
Não são velhacos, nem carvoteiros, nem gaúchos: têm sempre de seu. Rascam regularmente nas violas de doze cordas, com seus canotilhos, toeiras e turina.
Riem abertamente. Têm o falar sossegado e bondoso, de tudo se admirando, a mostrar interesse pela conversa mais insossa e secante, só para serem delicados.
Não dispensam a sua cachorrada paqueira e veadeira, com que fazem seu desporto aos domingos ou dias de guarda. Amam os seus cães, que não cedem por dinheiro nenhum. Põe-lhes nomes originais: Bismarque – Sultão – Paxá – Baliza – Clarim – Palhaço – Fidalgo – Sem Nome – Que Importa – Espicula – Marengo – Piloto – Colibri – Corsário – Não Sei…
Como patrões, são verdadeiros amigos e companheiros de eito dos camaradas. Sabem adoçar a voz e a ordem com um sorriso.
Têm, quase sempre, em casa, um compartimento assoalhado para os hóspedes, pois são os mais hospitaleiros dos homens.
Quando moradores dos campos, suas casas ficam dentro de um mangueirão, com suas figueiras e coqueiros, pés de pinhão-paraguai, cochos em forquilhas, chiqueirão de um lado, paiol, uma horta–jardim e um modesto pomar.
Os ribeirinhos armam suas casas barreadas, rebocada e caiada no tope de uma ribanceira, num refego de vale ou no alto de uma poética barranca de rio.
São João e Santo Antônio são os seus santos prediletos e em todos os sítios se ostentam no mesmo mastro, costas com costas no mesmo caixilho, mastro pintado em gomos azuis e rosas.
Pelas cercas de pau-a-pique, pendentes e verdes, as “buchas”, as abobreiras e os croás cheirosos. Junto á porta, as pedras de afiar e de acentar o fio. No quintal as laranjeiras: lima, tangerina, tangerona, ananás, mexeriqueiras, azeda cascuda, seleta, limão doce, lima umbiguda, lima da Pérsia, cidreiras, jambeiros, além do abençoado pé de limão galego, que floresce toda a vida, o ano inteiro, até morrer. É o salvador dos doentes. De lado fica a horta, misto de campo e de conservação de plantas medicinais. Ali estão em confusão o cravo de defunto, o coentro, a erva-cidreira, o cravo-chita, e outros cravos, a hortelã. O cravo é a flor predileta do caipira, figurando sempre na sua poesia.
II – O CAIPIRA CABOCLO(6)
Caipiras caboclos são os descendentes diretos dos bugres catequizados pelos primeiros povoadores do sertão. Se o caipira branco diz: “eu sou da família Amaral(7), Arruda, Pires, Ferraz, Almeida, Vaz, Barros, Lopes de Souza, Botelho, Toledo”, ou outra, dizem os caboclos: “eu sou da raça” de tal gente…
Estes caipiras quase nunca têm os lóbulos das orelhas, ou estes são completamente pegados.
Inteligentes e preguiçosos, velhacos e mantosos, barganhadores como ciganos, desleixados, sujos e esmulambados, dão tudo por um encosto de mumbava ou de capanga; são valentes, brigadores e ladrões de cavalos…
São uns poáias quando dão para pilintras, e então, deixam a preguiça de lado e a vaidade presta o seu serviço, tornando-os trabalhadores. Neste caso, o chá é mandar chumbar um dente a ouro e pôr uma coroa na frente. Freqüentam os arredores das cidades. São valentes e ágeis, ligeiros como lambaris, arreganhando as magníficas e alvas dentaduras fazem um banzé-de-cuia(8) de uma hora para outra por causa de uma catirina, pois são mulhereiros e dados a galantes, com o seu andar gingado, bamboleante e gamenho. Estes “almofadinhas” caboclos, são raros, mas existem por todo o interior do Estado.
Geralmente os caipiras caboclos são madraços. Arranjando um cantinho no sítio do branco, ou numa fazenda, lá ficam munbaveando, tolerados pelos patrões… aos quais não prestam serviço.
Sua vida é caçar (com aviamentos arranjados aqui e ali à custa de pedinchices), pescar, dormir, fumar, beber pinga e tocar viola, enquanto a mulher, guedelhuda e imunda, vai pelos vizinhos, pidonha e descarada, filar dos bons trabalhadores o feijão, o toicinho, o açucre, o café, a farinha e… um manojo de couve. Os vizinhos dos caboclos só matam porco a tiro e sangram depois de morto, pois se o animal grita sob a faca esse é o dia das visitas…
Quando são muito trabalhadores, os caboclos se satisfazem com qualquer coisa: uns pé de couve, uma rocinha de mandioca, três pés de cebola de cheiro, batatas, abóboras e … a serralha dá por si…
São marotos. Criam os filhos ao Deus-dará.
O traje do caboclo é repelente. Sua casa é imunda, de paredes esburacadas, coberta de sapé velhíssimo e podre, afogada pelos vegetais daninhos que lhe invadem o terreiro e vêm até a porta do quintal, trepando a “unha-de-gato” pelas paredes até a cumieira, de sociedade com o melão de S. Caetano. A miséria envolve-lhe o lar. Cadelas magras e sarnentas a se coçar ao sol, cheias de bernes, completam o quadro, pois aqui nem o gato do caipira se encontra: tal casa não comporta ratos; se não há o que roer…
O caboclo…
Ei-lo de cocre à margem suja do ribeirão (não tem coragem de passar uma foice no pesqueiro) com sua vara-de-anzol quebrada e encanada com embira… O bambuzal fica perto, mas o caboclo não tem tempo para ir cortar uma vara nova. Descalço, pés chatos, e esparramados, dedos cabeçudos, longos, em garra, fincados no chão: uma das pernas da calça arregaçada, outra a tombar; botões mal tapados pela vista da calça; uma cinta de correia de couro cru, estreita, de fivela esconsa; metade das fraudas para fora das calças vendendo farinha. Pela aberta da camisa, na ilhaga, de quando em vez, enfia a mão de unhas curvas, longas e sujas e se coça pela costela num gozo infindo… A camisa aberta ao peito, sem botão, deixa ver os rosários de contas de capim, os bentinhos, um dente de porco ou de jacaré, e um patuá, que é um saquinho fechado de pano encebado, brilhante de sujice e de suor. Esse saquinho, envolve uma oração e uma pedra do Bom Jesus de Pirapora. A oração serve para fechar o corpo contra balas e as coisa-feito. A tiracolo tem o caboclo um saquitel com fumo, palha, isqueiro de taquara com tampo de cuia, pedra de fogo e um pedaço de lima à guisa de fuzil.
Além de sujo, é roto. A mulher não lhe remenda a roupa e ele deixa ficar. A sua cabeleira emaranhada parece uma touceira de capim barba-de-bode, um enxu(9) ou ninho de corruíra d’água ; quando vem do mato traz a cabelama cheias de ciscos e pauzinhos secos. O seu chapéu de palha de piaçaba, afunilado, que já foi branco, hoje está envernizado, com uma cor indefinível, brilha e fede. Tem as abas caídas e comidas de barata.
Pobre caboclo… Creio que nunca tomou banho…
Coitado do meu patrício! Apesar dos governos os outros caipiras se vão endireitando à custa do próprio esforço, ignorantes de noções de higiene… Só ele, o caboclo, ficou mumbava, sujo e ruim! Ele não tem culpa… Ele nada sabe.
Mas, graças a Deus parece que esse tipo vai desaparecer.
Foi um desses indivíduos que Monteiro Lobato estudou, criando o Jeca Tatu, erradamente dado como representante do caipira em geral.
Ainda não estão perdidos os caipiras caboclos. Para salvá-los bastam duas coisas tomadas a sério: a escola e a obrigatoriedade do ensino… mas de verdade.
III O CAIPIRA PRETO(10)
Caipiras pretos são os descendentes dos africanos já desaparecidos do Brasil
São os bons brasileiros vítimas ainda das últimas influências da escravidão.
Almas caridosas e pacientes, generosas e humildes são os “negros velhos”.
Vede-os ali, “conversando ao pé-do-fogo”, ou sentados numa pedra, no terreiro, ou na soleira de uma porta se aquecendo ao sol… Também estão rotos e esfarrapados… Pobres depois de terem, com seu suor, inundado as fazendas de brasileiros patrícios seus – de canaviais, algodoais e cafezais, enchendo-os de dinheiro, desse ouro abundante e bom!
Que é o negro velho?
Um farrapo de gente…é um bagaço da vida. É um hospital de doenças. Tem os pés inchados e rachados pelas frieiras, pelos espinhos, pela erisipela, pela elefantíase… O seu peito ronca e ringe cheio de asma!
E ele, o pobre negro velho, nos sorri, contando histórias de outros tempos, humilde, cabisbaixo, sem gestos, ou só gesticulando de quando em quando, tentando estender a mão “engruvinhada”, de dedos encroados, entravada pelo reumatismo, mão com que tenta mostrar o porte de uma criança ou apontar o quartel de cana ou o talhão de “café-velho”, para além, muito além onde ele conheceu a mata-virgem e ouviu o estrondar dos jequitibás nas derribadas; onde ele viu erguer-se a lavoura nova do “sinhô” e onde amou a sua “crioula”… Essa crioula hoje é a “negra-velha”, a mãe-preta” a “mamã” que tem qualquer coisa de Santa naqueles olhos bondosos, naqueles cabelos tão brancos! Ela é a miséria aliada à bondade; é a tristeza e o caminho; é o amor e a boa conselheira dos filhos daqueles que a torturaram explorando-lhe o trabalho.
Pobres negros velhos! Nas grandes cidades, disputam aos cães, pela madrugada os restos das latas de lixo! Não podem pedir esmolas, eles, que só viveram para o trabalho… Não podem: a polícia não deixa: – são nacionais…
Felizmente os filhos dos “Negros-velhos” reagiram! São hoje o melhor braço da nossa lavoura e dos serviços de “estiva” no litoral.
Vejamos o “caipira-preto” novo.
Sua casa é quase sempre limpa; é coberta de sapé, mas é cercado de lavoura: tem sua plantação de cana, um pouco de café, e cereais: tem um “punhado”de santos no terreiro, em mastros: S. João, Santo Antônio, São Benedito. Ele é religioso e pena é que a aguardente, a “cachaça” o arraste para a tuberculose. A sua engenhoca, é tocada a pulso; ele é forte. Um cachorro “jaguapoca”, pouco maior que um “jaguapeva” ronda sempre as capoeiras, assombrando tatus e defendendo as galinhas, dos “bichos do mato”.
Tem a sua horta e as suas frutas. Respira-se um grande bem-estar no seu “sitiéco”.
É trabalhador e não se deixa pisar pelos brancos – que muito estima e respeita – mas, por “qualquer-cousa” responde logo: – “Sinhô me descurpe… mais tempo de escravo já cabô!”
Aos domingos, chibante e limpo, aparece na cidade com as pretas pimponas e risonhas, mostrando lindas e magníficas dentaduras alvas num riso franco e feliz. E as pretas garbosas e nadegudas como “içás” passeiam suas saias de chita, engomadas, sob paletós brancos de babados e golas enfeitadas de renda e entremeios vermelhos ou azuis, fazendo visitas e comprando “quitandas” nos tabuleiros à porta da igreja matriz.
Se os caipiras brancos são patriotas, os pretos suplantam-nos com grande vantagem. Sentem-se orgulhosos do nome do Brasil. Quantas páginas brilhantes foram escritas na nossa história pelo brasileiro-negro!
O novo caipira-preto é cavalheiresco e gentil. Em contato com o italiano, tendo, em compensação a estranha simpatia da italiana
É batuqueiro, sambador, e “bate” dez léguas a pé para cantar um desafio num fandango ou “chacuaiá”o corpo num baile da roça.
IV – O CAIPIRA MULATO
Oriundos da cruzamento de africanos ou brasileiros pretos com portugueses, e brasileiros brancos, raramente com o caboclo, o caipira-mulato é o mais vigoroso, altivo, o mais independente e o mais patriota dos brasileiros. Ele é bem o brasileiro que sabe amar o Brasil acima da própria família.
Lutando contra a prevenção do branco e fugindo, repelindo o preto, ficou numa situação especial e por isso procura sempre e sempre se elevar e se distinguir pelas suas ações.
Quando dá para pachola e falante… deixemo-lo.
Excessivamente cortês e galanteador para com as senhoras, nunca é humilde ante o patrão. Grande apreciador de sambas e bailes, não se mistura com o preto, tratando-o com certa superioridade mas com carinho. As suas mães, pretas, tratam-no com tanto mimo, com tanto carinho, por serem claros, que eles se tornam um tanto desprezadores de seus genitores maternos.
Nem sempre são proprietários.
Fiéis, são os bons-empregados, os bons boleeiros, os bons copeiros, os bons camaradas, os ótimos fatotum dos ricos… enquanto não forem tratados com desprezo.
Aparece agora no nosso Estado um novo tipo de caipira mulato, robusto e talentoso, destacando-se nos grandes centros, tratável e simpático: é o mestiço do italiano com a mulata ou do preto tão estimado por algumas italianas( 11).
1- Trechos do livro “Conversas ao ‘Pé-do-Fogo” editado pela OTTONI Editora em 2002. A primeira edição desta obra deu-se em 1921.
2- Cafuz é resultado do cruzamento do negro com o índio, o cafuzo.
3- Caboré, salvo outras eventuais significações, refere-se ao nordestino. O termo remete à figura de um tipo de coruja de cabeça chata. Daí a expressão pejorativa e discriminatória de “cabeça-chata”, referente ao nordestino.
4- Aqui, “estrangeiros” refere-se aos colonos imigrantes vindos de vários países para o Brasil, principalmente no final do século XIX e início do século XX. Cornélio Pires revela a discriminação entre os trabalhadores nacionais e os estrangeiros.
5- Diferentemente do conceito de que “caipira” é necessariamente o homem do campo, Cornélio Pires faz referências ao “caipira da cidade”. Já Antônio Cândido em “Os Parceiros do Rio Bonito” diz que seu estudo limitava-se apenas ao “caipira paulista”, cabendo aqui então uma indagação: caipira é um estado da alma, um estilo de vida, uma estética peculiar, uma cultura?
6- Não estranhem os leitores a forma contundente com que o caboclo é apresentado aqui. A expressão “caboclo” como conhecida de forma tão romântica nos dias de hoje, esconde uma origem bem diferente. Cornélio Pires deixa bem claro que a esta categoria de caipira pertence os descendentes de indígenas. Pouco dados ao trabalho, pelo menos ao estruturado pela lógica da acumulação de bens e capital, os caboclos, como seus ancestrais preocupavam-se tão somente com a caça, pesca e coleta, indicando a forte presença cultural dos nossos indígenas. Perambulando pelas fazendas, e depois pelas cidades, lá se vai o caboclo carregando apenas as reminiscência de sua cultura original. Cornélio Pires analisa-os pela ótica do “civilizado”, assim como Monteiro Lobato faz com seu Jeca Tatu, personagem caipira que representa justamente este “caboclo” avesso à correria e desligado dos problemas da “civilização”. Vamos encontrar um pouco de tais características também em grande parte dos filmes do inesquecível Mazzaropi;
7- A título de curiosidade, segundo consta, Cornélio Pires era primo de Amadeu Amaral, autor de “O dialeto Caipira” e muito provavelmente também da família da pintora Tarsila do Amaral, pelas ligações que teve com o primeiro e com a cidade de Capivari no Estado de São Paulo.
8- Banzé-de-cuia: encrenca, confusão.
9- Enxu: colmeia da abelha conhecida popularmente como arapuá.
10- Cornélio Pires foi apaixonado pela cultura negra. Seu livro “Conversas ao ‘Pé-do-Fogo” revela bem esta afirmativa. Não estranhe, portanto, o leitor, seu tom romântico, ainda que melancólico, quando se refere ao negro.
11- Como se pode notar, Cornélio Pires já aponta, por volta de 1920 uma significativa miscigenação do negro com o branco italiano, originando o “novo tipo de mulato”, fenômeno anteriormente ligado ao português.
Add comment 9 09UTC Julho 09UTC 2009