SR. GERSON CAMATA (PMDB – ES). Para uma comunicação inadiável. Sem revisão do orador.)
– Muito obrigado a V. Exª.
Acaba de chegar à Casa a Mensagem do Senhor Presidente da República instituindo a reforma tributária. Acaba de chegar exatamente agora. Está quentinha ainda.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, quem abriu os jornais hoje, quem abre os jornais hoje vê mais uma vez a triste notícia – é triste a notícia – da liberação de reféns das FARCs, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, a narcoguerrilha colombiana. E tanto no jornal a Folha de S.Paulo como no Estadão tem a fotografia dos quatro liberados, mas tem quatro mil seqüestrados, quatro mil seqüestrados, senadores, deputados, quatro mil, Senador Suplicy. Estão lá. Não posso conceder aparte a V. Exª, embora instado, porque a minha fala é para uma comunicação inadiável, infelizmente.
Pois bem, a gente vê as fotografias desses seqüestrados antes e depois. Cinco anos seqüestrados. Tem gente há dez anos. Crianças há dez anos seqüestradas. E a gente vê que em cinco anos eles envelheceram vinte, quinze anos, tiveram suas fisionomias destruídas, fantasmas vivos entregues àquele ditadorzinho lá da Venezuela, o Chávez.
Pois bem, a América Latina agora está numa confusão tão grande que tem o bandido de esquerda e o bandido de direita. A ideologia de esquerda e de direita está acabando no mundo, mas na América Latina tem o bandido de direita e o bandido de esquerda.
No Haiti, Bastide Aristides, que era o Presidente, tinha lá tipo uns Tonton Macoutes, que eram considerados assim uns bandoleiros de direita. Houve intervenção, o Brasil mandou tropa, prenderam os bandidos, limparam o Haiti, colocaram o Presidente eleito pelo povo nas ruas e levaram ele prisioneiro para a África do Sul. Esses, sob os cuidados dele, eram os bandidos de direita. E os bandidos de esquerda da Colômbia? Cadê a Organização dos Estados Americanos? Por que não se faz uma força multinacional para acabar com aquela vergonha de guerrilheiros traficantes que estão enchendo o Brasil de cocaína, fazendo do Brasil um entreposto de cocaína no mundo, envergonhando o Brasil, passando 30% da cocaína pela Venezuela? Onde está o Brasil que não impõe respeito às suas fronteiras, que asila às vezes esses guerrilheiros do narcotráfico? Onde estamos brasileiros? Cadê a Organização dos Estados Americanos para uma intervenção em acordo com o governo de lá para acabar com isso? Isso é uma vergonha para a América Latina, barbarizando, judiando. Deputados, senadores, pobres e crianças.
Enquanto esta América Latina não se respeitar não vai merecer o respeito do resto do mundo.
Nós não podemos
Nós não podemos, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, ser respeitados se não respeitamos a condição humana desses quatro mil seqüestrados que estão nas mãos desses narcotraficantes. Desses mesmos narcotraficantes que não respeitam a fronteira do Brasil, que transitam as drogas, que compram as suas armas por meio do Brasil, que receberam apoio militar do Sr. Fidel Castro, que está sendo aí exaltado como o grande herói da América Latina, o herói que matou gente no Brasil, matou gente na Bolívia, matou gente em Angola, matou gente em Abissínia e matou gente na Etiópia. Onde estamos? Onde está o Brasil? O que estamos fazendo neste Parlamento que não se levanta num grito político de revolta? Pelo contrário, um Partido político do Brasil dá asilo a um guerrilheiro, procurado pela polícia daquele país, e o acoberta sob a suspeita de ter financiado campanha política desse Partido que hoje está no Governo do Brasil.
Algum coisa muito grave está escondida embaixo disso tudo e eu manifesto aqui, Sr. Presidente, a minha revolta e a revolta do povo colombiano, que colocou cinco milhões de pessoas nas ruas de Bogotá e nas ruas do mundo inteiro contra essa barbárie que praticam contra crianças, velhos, senadores, senhoras; são quatro mil seqüestrados e milhões de jovens sendo destruídos pela droga, pela cocaína, pela merla distribuídas nesse país, que são também, através do Brasil, jogados para a Europa para financiar as suas atividades.
O Brasil cada dia perde um pouco mais da sua dignidade quando apóia essas barbáries.
Muito obrigado, Sr. Presidente.