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Abril 4, 2008
O penapolense, esperando o Centenário de sua cidade em 2008, não esquece as histórias de pioneiros. Muitos deles chegando de carro de boi de Uberaba, em viagens que duravam um mês, e ficando semanas na Pensão do Sr. Ventura ou em barracas no ‘Acampamento dos Pioneiros’ até se construir uma casinha no sítio recém comprado que ainda era puro mato.
Penápolis que já foi uma estação de trem e uma venda. As enormes perobeiras à beira dos ribeirões. A minúscula Companhia Paulista de Força e Luz do Avanhandava da década de 1920.
O sr. Tarcísio da Livraria Católica relembrando o seu pai, um pioneiro, carreteiro, que “puxava” sal e gêneros alimentícios em carro-de-boi entre Penápolis e Franca. Os pioneiros, recebendo em 1958, com muito orgulho, no Cinqüentenário de Penápolis, o título de cidadão honorário penapolense.
Penápolis não esquece a antiga Estação de Trem, o antigo Campo da Aviação, na vila Fátima, com seus “teco-tecos”, os “CAP-4 Paulistinha“, paraquedistas, a Esquadrilha da Fumaça com seus gloriosos aviões T-6, o saudoso “Correio Aéreo Nacional“ com sua linha até o Paraguai. O Clube de Planadores de Penápolis. O Syndicato Condor decolando seus aviões Junkers alemães para o Mato Grosso.
Os passeios no Salto do Avanhandava que, nas palavras da Carmita Ahmad, o salto: “Serpenteia em meneios coleantes, em alvéo de pedras, rumoreja a caudal de espumas borbulhantes do Tietê em fina benfazeja”.. Os banhos e as pescarias no Ribeirão do Lageado. O Porto do Cruz e a Estrada velha do Lageado.
A dureza da política dos anos 1920 e o assassinato do Luís Osório da Fonseca. O Domingos Vieira da Silva que atirou no tribunal do júri em fevereiro de 1930 e foi notícia no New York Times. o cérebre Tenente Galina, caçador de criminosos no sertão da Noroeste.
As ruas descalças e pacatas com apenas 30 automóveis em 1925. A antiga Escola Mixta Municipal do Lageado do Professor Altino Araújo Vaz de Mello, fundada em 1913. As crianças recebendo o diploma do 1º Grupo Escolar. A primeira Escola Feminina Estadual de Penápolis da Professora Ismênia Aymbiré do Amaral Rocha, em 1912, época em que muitos professores se recusavam a irem para Penápolis por medo dos índios.
A Carmita de Mello Ahmad, filha do Professor Altino, lendo todos os livros que apareciam na cidade e escrevendo suas poesias sobre Penápolis e sobre São Francisco de Assis. A Pepita Rodrigues, de porta em porta, vendendo tomate.
Os comícios do Doutor Adhemar Pereira de Barros em frente ao Mercado Municipal: -“Penapolenses de Penápolis“!, assim começava o velho Adhemar os seus discursos. Estadista Adhemar que, junto com o Lucas Nogueira Garcez, construiu a velha e saudosa Usina Hidrelétrica de Avanhandava e construiu as duas principais rodovias que cortam Penápolis: a SP-300 e a SP-425.
Em 1919, a grande festa na cidade, recebendo os mais importantes políticos da capital que vieram fundar a Santa Casa de Misericórdia de Penápolis e instalar as Escolas Reunidas, que depois se tornariam o 1º Grupo Escolar.
A dureza de se atravessar, a vau, com carroças e cavalos, o rio Tietê, feito este que só se conseguia em um único ponto mais estreito do rio, e a tão sonhada ponte do Tietê, ligando Penápolis a São José do Rio Preto, que finalmente foi construída no tempo do saudoso governador Doutor Washington Luís, na década de 1920.
A Cora Coralina vendendo mudas de árvores para a cidade toda e sua Casa de Retalhos. Em uma época em que era raro ver uma mulher comerciante, Cora Coralina lutava, nas ruas e no jornal “O Pennapolense” do professor Altino, pela instalação de uma Associação Comercial na cidade. Grande Professor Altino!, cuja família também foi pioneira na educação e no jornalismo em Uberaba no século XIX. O Pennapolense circulou de 1915 a 1939.
O Dr. Mário Sabino, político e médico, atendendo pobres e ricos com carinho. O lendário Quinca Monteiro com seu chapéu de aba larga e sua coleção de fazendas . As elegantes alunas voltando do Instituto de Educação com seus uniformes de camisa branca e saia azul-marinho com pregas.
O Luís Leme orgulhoso de seu antepassado Fernão Dias mas sempre reclamando que tiraram o “Leme” do Fernão Dias Pais Leme, e mostrando a todos, a espada ganhada pelo seu avô, do D. Pedro II, nos velhos tempos da Colônia Militar.
A primeira casa de Penápolis, toda de madeira, doada, pelo Coronel Manoel Bento da Cruz, aos frades Capuchinhos, da qual, uma antiga moradora, a poetiza Carmita Ahmad dizia:
“Casinha velha.. Você relembra A história de nosso passado Que não será esquecido e foi glorificado… Nos tempos primordiais, Seu teto abrigou nossos ancestrais… Você foi templo, escola e residência… A tradição sua forma conservou… É símbolo e foi berço. Onde originou a nossa civilização“.
O apito da locomotiva Baldwin “Maria-Fumaça”. Os trens lotados de imigrantes rumando para sabe-se lá onde. O homem do trem, percorrendo os vagões da velha Noroeste do Brasil, gritando: -”Olha o sanduíche!, quem vai querer?!. Estrada de Ferro Noroeste com seus vagões com muita poeira pois os seus trilhos foram colocados diretamente no solo, sem um suporte de pedras.
As jardineiras (ônibus de antigamente), vagarosas e empoeiradas, chegando de São José do Rio Preto. O assassinato do delegado Álvaro Martins Sevilha, em 1936, e a famosa pensão da viúva, dada pelo governo do estado.
O velho cemitério do tempo dos índios. Os pracinhas da FEB. A sósia de Elis Regina. O “Cidade contra Cidade” e a “Miss Penápolis” no programa Sílvio Santos. Os bons tempos do time de futebol da cidade o “CAP“. O jornal semanal “Comarca de Penápolis” do Sr. Raul Forchero Casasco, que circulou por 40 anos (1937-1977).
As 50 charretes de aluguel (táxi) e os amáveis charreteiros em frente à antiga Estação rodoviária, sendo que em 2005 restavam apenas duas charretes. A Maria 21. A Dona Maria Chica. A despedida concorrida e emocionada do Manoel Bento da Cruz. O leiteiro da carrocinha, deixando leite de casa em casa. O primeiro arranha-céu: O Edifício Adilha, sinal de progresso. A trágica morte, em 1968, do Dr. Ramalho Franco quando seu paraquedas não abriu.
Penápolis não esquece as disputas eleitorais entre o Nagib Sabino e o Edson João Jeirassati. O caminhoneiro “Zé Preto” narrando as dificuldades e proezas das viagens de caminhão, na década de 1950, para o “Norte” (hoje se diz nordeste do Brasil). A Orquestra Penapolense na década de 1950 tocando no Clube Penapolense.
As visitas do Bispo de Lins que reuniam multidões. As irmãs e irmãos do Apostolado da Oração, primeira irmandade de Penápolis, criada em 1909, e da Venerável Ordem Terceira Franciscana Secular.
O Frei Thiago de Cavênide, rigoroso seguidor das normas de pobreza e sempre ao lado dos jovens, teólogo e mestre, e os capuchinhos de Trento.
Os frades pioneiros: Frei Bernardino de Lavalle que celebrou a primeira missa na fundação de Penápolis. Frei Boaventura de Aldeno, Frei Sigismundo de Canazei e o Frei José de Cassana com sua Escolinha São Francisco, escola pioneira, toda de madeira, na primeira casa de Penápolis. Frei Domingos de Riesi que dirigiu a construção da primeira igreja, do convento e da nova escola, já em 1909, e que seria inaugurada em 1913.
As festas do padroeiro no Largo da Matriz. O engenho de açúcar artesanal. Os carros de boi levando toras de madeira para as serrarias e as carroças puxadas por burros levando café para a velha Estação de trem (que funcionou até1917) da velha Estrada de Ferro de Bahurú a Itapura.
Coisas e pessoas que fizeram de Penápolis um lugar muito amado e inesquecível.
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